• Da redação

100 dias de adaptação, planejamento e muito trabalho, avalia Fernando Capato

‘Ser prefeito é uma experiência muito diferente, muito mais desafiadora. Mas também um privilégio’.



Amanhã, dia 10 de abril, Fernando Capato completará 100 dias como prefeito de Holambra. Em entrevista ao JC Holambra, ele resume que foram dias de adaptação, planejamento e muito trabalho.


Esse é o primeiro mandato de Fernando na chefia do Executivo, porém, desde 2017 ocupa um cargo na chefia do Município. Na gestão passada ele foi o vice-prefeito da cidade.


Dentre os muitos desafios, Fernando, vem há mais de um ano gerindo o município durante a pandemia, sendo nove meses como vice e quatro como gestor da Administração Municipal. Nesta entrevista, o Jornal tratou de vários temas, desde a sua experiência na gestão passada e o enfrentamento da pandemia, passando pelas propostas de campanha até os projetos para manter o equilíbrio fiscal.




JC Holambra - Qual a principal diferença entre ser vice e, agora, o chefe do Poder Executivo?


Fernando Capato: É como estar na reserva ou dentro da área adversária em uma final de campeonato que acontece todos os dias. A responsabilidade e a expectativa de quem está em campo são muito maiores. Procurei, ao longo dos quatro anos em que fui vice, ser presente e participativo. Mas as decisões, em última instância, são do prefeito. Vivo isso hoje. É do prefeito que as pessoas cobram e esperam resultados. É a ele que erros e acertos são creditados. Ser prefeito, portanto, é uma experiência muito diferente, muito mais desafiadora. Mas também um privilégio.


JC - Você está a mais de um ano enfrentando a pandemia, sendo nove meses como vice e há mais de três como prefeito? Como tem sido?


Fernando: Uma batalha diária. Durante sete dias por semana estou em contato direto com o Departamento de Saúde, acompanhando integralmente tudo o que acontece. Como gestores, estamos fazendo tudo o que podemos e tenho fé de que a situação vai melhorar. Temos uma equipe forte, dedicada. E estamos fazendo os investimentos necessários para garantir toda a retaguarda necessária de insumos para tratamento e para internações em leitos locais. Intimamente, comemoramos a cura de pacientes, a chegada de novas doses de vacina, qualquer novidade positiva. Por outro lado, lamentamos o aumento de casos e as vidas que são perdidas. Vidas de gente que conhecemos, com quem convivemos. Sou muito grato pelo empenho desse incrível grupo de profissionais da saúde de Holambra, que vivenciam essas vitórias e derrotas na linha de frente, ao lado dos leitos, e não se deixam abater. Recebi aqui, em nossa Policlínica, os cuidados quando fui diagnosticado com a doença no ano passado. São grandes pessoas e trabalhadores.


JC - Como prefeito, você enfrenta o pior momento da pandemia? Quais os principais desafios?

Fernando: Assim como o país, Holambra enfrenta o pior momento da pandemia. Entretanto, conseguimos nos organizar de forma eficiente. Readequamos nossa Policlínica para enfrentar tanto quanto possível a falta de leitos de internação em hospitais de referência, adquirimos equipamentos, oxigênio e demais insumos.

O principal desafio é continuar monitorando a pandemia como temos feito desde o início, com extrema atenção, para que com planejamento não sejamos pegos de surpresa por situações que fogem ao nosso controle.


JC - Qual o balanço que você faz dos cem primeiros dias?


Fernando: Altamente positivo. Dias de adaptação, de planejamento e de muito, muito trabalho.


JC - Quais os acertos dos cem primeiros dias?

Fernando: O principal acerto, acredito, foi equilibrar as ações necessárias na área da saúde para o enfrentamento à Covid-19, ter sucesso no abastecimento preventivo na área de promoção social, principalmente com a aquisição de cestas básicas, e ao mesmo tempo conservar nossa cidade em ordem, com manutenções regulares nas ruas, parques, praças e jardins. Mas acumulamos outros resultados positivos. Em três meses de trabalho, concluímos as obras e reabrimos o PSF Palmeiras, terminamos as obras e abrimos a Academia da Saúde, iniciamos melhorias na Praça dos Imigrantes, com colocação de gramado sintético na quadra de futebol, e projetamos o que será a primeira escola de ensino fundamental do bairro, com processo licitatório a ser aberto nos próximos dias.


JC - Quais ações implementadas nestes cem dias que podem ser melhoradas?


Fernando: Tudo pode ser aperfeiçoado com o tempo, mas acredito que estamos no caminho certo. Fazendo uma gestão resolutiva. Terminando o que precisa ser concluído. Oferecendo, com qualidade, os serviços que precisam ser oferecidos. Lançamos já nos primeiros meses o Portal do Estudante de Holambra, uma ferramenta de oferta de conteúdo digital de aulas em diferentes formatos. Ela visa incrementar e fortalecer o sistema de ensino durante o período sem aulas presenciais. É um exemplo de projeto que iniciamos e que vamos melhorar e ampliar ao longo dos próximos meses.


JC - O que mais marcou seus cem primeiros dias de governo?


Fernando: O carinho e a confiança demonstrados pelas pessoas todos os dias, nas ruas ou nas redes sociais. É uma relação que nos fortalece e nos enche de otimismo. Assumir o mandato em meio a uma situação de crise social e econômica causada por uma pandemia tão agressiva é, por si só, marcante. Mas prefiro destacar os sentimentos de esperança, solidariedade e perseverança que vivencio quase que diariamente no contato com cidadãos e servidores municipais. A empatia que vejo nas pessoas, mesmo num momento tão difícil para todos.


JC - Como manter o equilíbrio fiscal diante de uma crise causada pela pandemia


Fernando: Estamos revendo as prioridades de gastos, buscando mais eficiência e racionalidade, aplicando naquilo que realmente é essencial para a população neste momento. Também estamos trabalhando para melhorar a arrecadação, realizando um trabalho de desenvolvimento econômico voltado à atração de empresas para quando chegar o período de retomada. Em 2021, mesmo em crise, o índice de participação de Holambra no ICMS aumentou 10%. Sabemos que com a pandemia a economia brasileira não está nada bem, mas estamos observando os índices com cuidado e trabalhando com cautela.


JC - Em seu plano de governo você destacou que um dos principais desafios de Holambra seria a construção de uma escola e uma nova creche no bairro Imigrantes e a busca de investimentos para a construção de um novo Pronto Atendimento 24 horas. Conseguiu avançar sobre esses desafios?


Fernando: Como disse, com a piora da pandemia verificada logo no início do ano foi necessário rever prioridades. Mostrou-se mais urgente no momento a ampliação do número de leitos de observação para pacientes com Covid-19 na Policlínica Municipal, de 6 para 18. Ainda assim, trabalhamos em outra frente para finalizar o projeto da primeira escola do bairro Imigrantes, com obras a serem iniciadas nos próximos meses, ainda este ano. Fizemos um plano de governo, durante o período eleitoral, adequado às necessidades reais e presentes da cidade. E seremos incansáveis para que ele seja cumprido até o final deste mandato.


JC - Nestes cem dias, o que tem sido feito para superar os graves problemas de segurança, abastecimento e transporte?


Fernando: Holambra felizmente não enfrenta problemas significativos nestas áreas. Nossa Polícia Municipal tem colaborado muito nas barreiras sanitárias de orientação e em ações para evitar aglomerações. Com relação ao transporte, tivemos apenas restrições pontuais decorrentes das determinações do Plano São Paulo e da falta de demanda pelos ônibus circulares aos domingos.

JC - Um dos setores mais prejudicados com a pandemia foi o do turismo. Quais as iniciativas nesses cem primeiros dias para reduzir o impacto?


Fernando: O turismo se mostrou, já no final do ano passado, um setor com recuperação natural e mais acelerada a partir do alívio das medidas restritivas. Estamos preparando campanhas de incentivo à atividade para lançamento em um momento mais oportuno e atuando no fechamento de parcerias para oferta de cursos de qualificação rápida e de empreendedorismo nos próximos meses, inclusive com abertura de uma Sala do Empreendedor em nossa cidade.


JC - Durante a eleição você tinha dito que a educação demandaria atenção imediata e forte apoio do poder público para recuperar prejuízos ao ensino causados pela pandemia. Como você tem feito isso?


Fernando: Instituímos o Portal do Estudante de Holambra, uma plataforma online com textos, fotos e vídeos para proporcionar acesso à distância ao conteúdo, de forma eficiente e divertida. Temos também as apostilas de atividades que os alunos utilizam em casa e que retornam às escolas para serem corrigidas, além do apoio pedagógico por telefone, disponível em todas as unidades municipais. Estamos, neste momento, fazendo avaliação diagnóstica em nossas escolas, com agendamento e atenção às normas sanitárias, para identificar dificuldades e eventuais prejuízos de forma individual. E para trabalharmos isso, em seguida, de forma mais assertiva.


Realizamos a distribuição de cerca de 2.300 kits escolares com itens adequados para cada série para a realização de tarefas em casa. E para garantir o acesso dos alunos à alimentação, distribuímos mensalmente mais de 2.300 kits alimentação, que além de alimentos não perecíveis contam com ovos, frango desossado, frutas, verduras e legumes. Desde o início do ano já foram entregues mais de 4.600 kits. Aproveitando a ausência dos alunos, estamos reformando e ampliando a escola Novo Florescer, no Fundão, para que as instalações estejam mais confortáveis no momento do retorno às aulas presenciais.


JC – A Covid trouxe uma crise sanitária, social e econômica. Quais as ações para resolver os problemas sociais e econômicos?


Fernando: Além dos investimentos e melhorias feitos nas áreas da saúde e de conscientização, que têm por objetivo agir para conter o avanço da crise sanitária, nos preparamos para atender as famílias em situação de vulnerabilidade social de forma efetiva, com centenas de cestas básicas e a prorrogação do pagamento de tributos municipais. Estes últimos, com benefícios também ao comércio, tão fortemente impactado pelo processo de enfrentamento a esta pandemia. Prorrogamos inicialmente por 30 dias as cotas únicas de IPTU, alvará de funcionamento, ISS, Lixo Rural, entre outras. Agora, esta semana, ampliamos essa margem por mais 30 dias, para até maio. Os kits de alimentação escolar e doações recebidas da iniciativa privada também ajudam de modo significativo a reduzir os impactos sociais da Covid-19 em Holambra. Todas essas ações visam amenizar um pouco o momento difícil das pessoas e da nossa economia.


JC - O prefeito anterior deixou obras inacabadas, como, por exemplo um portal da rua das Palmas. O que fazer com elas?


Fernando: Concluí-las. Em toda obra há investimento público, convênios a serem honrados. Faremos tudo o que for necessário fazer para entregar o que está em andamento com a maior brevidade possível, respeitadas as limitações legais e de repasses financeiros.

JC - A vacinação em Holambra tem sido lenta, devido à quantidade de doses disponibilizadas ao município. O que a prefeitura tem feito para melhorar isso?

Fernando: Infelizmente o número de doses que temos recebido tem sido inferior à demanda real para cada faixa de idade. Antes mesmo da chegada do primeiro lote estive pessoalmente na Regional de Saúde de Campinas, que representa o Estado na região, para alertar sobre a discrepância entre o real número de idosos de Holambra e o número que consta nas estimativas censitárias. Solicitamos, naquele momento e em diversas outras oportunidades mais recentes, o envio de mais doses para a cidade. Ainda não fomos atendidos, mas continuamos cobrando do Governo do Estado rotineiramente. Também aderimos ao consórcio de municípios para a compra de vacinas contra a Covid-19, uma iniciativa da Frente Nacional de Prefeitos. E também à iniciativa do nosso consórcio regional de saúde, o Cismetro. Aguardamos a viabilidade legal dessas alternativas. Ainda que de forma gradual, a vacinação está chegando às pessoas. É preciso insistir nos cuidados individuais, no uso de máscaras ao sair de casa e no distanciamento.


JC - Qual tem sido o papel do vice-prefeito na sua gestão?


Fernando: Tenho o privilégio de ter um vice interessado, presente e atuante ao meu lado. O Miguel Esperança tem participado diretamente das principais decisões e do planejamento junto aos departamentos. Está conosco diariamente, participando de reuniões, visitas a obras e outros compromissos. É um homem experiente e de confiança.



Esdras Domingos

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