• Da redação

Não deixe de dar um abraço, ligar ou enviar mensagens: hoje é o Dia dos Avós!


26 de julho é o Dia dos Avós. Saiba como foi escolhida esta data e confira o depoimento de uma "super vó" holambrense.


De uma maneira geral, a figura dos avós em uma família é uma das mais queridas e respeitadas. Esse carinho e respeito são decorrentes de todo o conhecimento que eles adquiriram ao longo da vida, podendo transmiti-los aos netos e bisnetos. Assim como existe o Dia das Mães e o Dia dos Pais, porque não existir uma data especial para se homenagear essas figuras tão importantes na vida de todos nós? E essa data existe: 26 de julho!

Qual a origem do dia dos avós e porque 26 de julho foi o dia escolhido? A data nos remete à história de Jesus Cristo e sua linhagem familiar. No século XX, o papa Paulo VI escolheu o dia 26 de julho para homenagear os pais de Maria, mãe de Jesus, cujos nomes eram Ana e Joaquim.

Esses dois personagens, por terem concebido a mãe de Cristo mediante um milagre, já que na época eram estéreis, foram canonizados (instituídos e proclamados santos) no século XVI pelo papa Gregório VIII . Ao longo dos séculos, foram realizadas diversas festividades em homenagem à Santa Ana e São Joaquim em diferentes datas. No entanto, o Papa Paulo VI houve por bem instituir o dia 26 como a data definitiva.

Independente da data ter origens na crença católica, a importância deste dia e principalmente dos avós na vida de seus netos deve ser considerada por todo o acervo de amor, carinho e conhecimento que estes têm para dar.

O site do Jornal da Cidade conversou com uma avó holambrense que tem parte de sua vida dedicada aos netos, oferecendo-lhes todo o suporte educacional e o amor que, em geral, os avós doam sem medida a seus netos. Seu nome é Catharine Sita. Confira o depoimento de Catharine a respeito da emoção de ser avó

"É impossível descrever em palavras a emoção e o amor que se sente quando somos agraciados com um (a) neto (a)! Talvez porque não temos mais as preocupações e inexperiências de quando tivemos filhos. Sendo avós, já estamos mais maduros, experientes e mais livres para viver junto aos netos. Percebemos junto a eles detalhes a cada dia, descobertas novas, avanços que não tivemos, talvez, tempo de notar com nossos filhos. Não tem um dia que passamos sem novas emoções. É muito amor e muita felicidade. O que eu, como vó da Sarah e dos futuros netos não quero presenciar ,é ficar longe deles por distância. Acho que meu coração não suportaria!"


Catharine (Arquivo pessoal), com sua recém chegada neta Sarah, de 8 meses.

Além de uma grande inspiração de carinho e amor, os avós oferecem aos jovens uma projeção de seu futuro e como agir da melhor forma, para que, independente da idade avançada, aproveitar cada momento e nunca deixar de possuir um coração jovem e alegre.

O Jornal da Cidade parabeniza todos os avós, agradecendo pelo amor e dedicação oferecidos a cada um de nós. Aos que já partiram, a saudade é o que resta, mas o sentimento que predomina é o amor e o agradecimento por tudo o que puderam fazer.

Avós, hoje é o dia de todos vocês! Recebam os nossos Parabéns!


SOBRE SER AVÓ

A escritora Rachel de Queiroz revela muito disso no texto abaixo, que o JC reproduz numa homenagem especial a todas as avós e avôs que nos acompanham.

A Arte de Ser Avó

Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...

Quarenta anos, quarenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações - todos dizem isso embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor.

Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são os filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.

E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino seu que lhe é "devolvido".

E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração. Sim, tenho certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice.

São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avó, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...

No entanto - no entanto! - nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do garoto. Não importa que ela, hipocritamente, ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo.

Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia.

Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer roquetes, tomar café - café! -, mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com o lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado! Fazer malcriação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó, e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém, esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!

E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno. E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade...

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague...

(O brasileiro perplexo, 1964.)

Rachel de Queiroz

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