• Da redação

O Preço da Saúde


Quase todas as gerações que habitam o planeta, hoje, estão vivendo mais e melhor que as anteriores. Os responsáveis por esta realidade são o avanço tecnológico e as descobertas constantes, frutos de pesquisas que novos conhecimentos permitem avançar na cura de doenças e tratamentos. Nenhuma novidade. A questão é: a que custo? Como pagar a conta?


Não são poucos os que – apesar dos avanços - questionam os porquês do dramático desequilíbrio existente entre as classes sociais, etnias vivendo em regiões insalubres e carentes, bem como políticas de saúde pública insuficientes para atender populações de qualquer nacionalidade: de norte-americanos a etíopes!

A dedicação de voluntários e profissionais de saúde doando seu tempo e conhecimento para amenizar o sofrimento de milhares de abandonados pela sorte – principalmente em áreas de risco – é pouco lembrada, merecendo um mínimo de holofotes na imprensa.

Destaque-se a “Médicos sem Fronteiras” – organização de ajuda humanitária internacional, não governamental, sem fins lucrativos - que consegue sobreviver pela contribuição generosa de milhares de doadores pelo mundo. Fundada em 1971, com sede em Genebra, Suíça, a MSF vem oferecendo ajuda médica e humanitária a populações em situação de emergência e em casos de conflitos armados, catástrofes, epidemias, fome e exclusão social.

“A organização foi criada com a ideia de que todas as pessoas têm direito a tratamento médico, e que essa necessidade é mais importante do que as fronteiras nacionais! ”. Uma lição de solidariedade.

A indústria farmacêutica – apesar de sempre negar que suas margens de lucro são exorbitantes - tentou doar à MSF, no ano passado, 1 milhão de vacinas através da gigante Pfizer. Teve a oferta recusada. Porquê? Para trazer a público uma realidade que atinge a todos os países: os altos preços de vacinas e medicamentos.

São estratégias dessa natureza que permitem à indústria manter preços abusivos sob a argumentação de que as inúmeras doações acabam por demandar que “outros consumidores” (nós!!) tenham que arcar com os investimentos.

A comercialização da saúde – uma realidade – nivela por baixo a nossa espécie.

E apesar de vários países adotarem o sistema universal de saúde gratuito com relativo sucesso, o nosso – onde 3 de cada 4 brasileiros dependem do SUS (Sistema Único de Saúde) – possui atendimento precário. Precário por falta de investimento compatível com as necessidades de um país com 207 milhões de habitantes. Saúde não tem preço! Mas permanece a interrogação: como pagar por ela?

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