• Da redação

Morador de Holambra ganha a vida atuando em rodeios pelo país


Holambrense fala sobre sua função, onde coloca sua vida em risco constantemente para "salvar a pele" de peões após as montarias.


De acordo com a definição do Dicionário Online de Português, um Salva-Vidas pode ser definido como profissional encarregado de vigiar e socorrer os banhistas em situação de afogamento, nas praias destinadas ao banho; guarda-vidas, nadador-salvador. No entanto, é bom saber que essa função e a expressão não são utilizadas apenas para salvamentos aquáticos. Você já ter ouvido falar, por exemplo, do Salva-Vidas de Rodeio!

Dablyson da Silva (24 anos), holambrense que reside no bairro Jardim das Tulipas e está em Holambra há 18 anos é um dos integrantes deste seleto grupo de profissionais. Em entrevista ao site do Jornal da Cidade o salva-vidas falou sobre sua história com a profissão e quais suas reais funções, visto que, para muitos, não é muito conhecida e nem tem seu devido valor reconhecido.

Dablyson começou a atuar na função há cerca de 3 anos, quando tinha o costume de acompanhar seus colegas aos treinos. Após algumas visitas o holambrense percebeu que se identificava com a profissão, visto que desde criança possui um grande envolvimento com animais por ter residido em sítio e fazendas no estado do Acre, quando era criança. Foi assim que deu início aos primeiros trabalhos como salva-vidas e há cerca de dois anos fez dela sua profissão.

Ao saber da decisão de Dablyson, sua mãe Eunice Maria da Silva não aprovou muito a ideia. "Quando minha mãe ficou sabendo pirou (risos). Ela tinha e ainda tem muito medo que eu me machuque seriamente" disse. Já sua esposa, Débora Cristina, apesar da preocupação o acompanha sempre que possível. "Minha esposa sempre me acompanha quando pode. Ela também gosta de assistir as montarias e prestigiar meu trabalho", afirmou.

Após 6 meses exercendo a função, o salva-vidas realizou o primeiro curso para se tornar profissional e atualmente já concluiu três, todos em cidades paulistas. Cada curso é realizado em uma cidade diferente. "O primeiro foi em Cardeal , o segundo em Fartura e o terceiro em Mombuca. Então, tenho sempre que estar viajando para me especializar cada vez mais. Apesar de exercer a profissão há um certo tempo, em cada aula aprendo algo novo, algo que não sabia", conta. Todos as aulas que Dablyson participa são ministradas pelo instrutor Mauro Araújo, conhecido como "Maurinho", respeitado e famoso no ramo.

A função do salva-vidas de rodeio é proteger o peão após este cair ou saltar do touro, após os 8 segundos em que busca permanecer no lombo do animal. Quando isso acontece, antes ou depois desse tempo máximo para a montaria, dois ou três profissionais entram na arena, sendo que um protege o peão enquanto os outros dois chamam a atenção do touro para conduzi-lo de volta à baia.

Apesar de amar a profissão, Dablyson afirma que não dá para tê-la como única fonte de renda. Segundo ele os contratantes acham que os cachês cobrados são altos, sendo que estes, para três ou quatro dias de rodeio, deveriam custar em média R$ 1,5 mil, valor que geralmente é recusado.

Além dessa dificuldade, outra enfrentada é a procura pelos serviços. "É difícil os responsáveis nos procurarem. Eu mesmo tenho sempre que estar ligando ou até mesmo indo até o local para oferecer meus serviços", disse. Atualmente o holambrense também faz bicos de jardinagem e cuida de cavalos e bois.

Dablyson já participou de aproximadamente 20 rodeios e confessa que, apesar da paixão pela profissão, já pensou em abandoná-la. Nessa arriscada atividade ele já coleciona alguns incidentes: há um ano foi atingido por uma forte cabeçada de um touro nas costas, depois disso sofreu um pisão no pé direito e ainda uma outra cabeçada, que lhe acertou o joelho da perna direita. Para sua sorte, felizmente nenhuma das lesões foi grave e ele ficou inativo por pouco tempo.

Quanto aos macetes para driblar a ferocidade do touro e fazer com que ele siga em direção às baias, o salva-vidas revela que utiliza gritos fortes em direção ao bicho, toca levemente em seu focinho e se esquiva com rapidez das investidas. Tudo isso é feito apenas com a agilidade e a destreza que todo salva-vidas deve ter, pois não podem utilizar nenhum tipo de material para fustigar o touro.

"Uma coisa eu posso garantir, os animais não são maltratados, como muita gente pensa, e todo rodeio deve ter a presença de um veterinário, que se encarrega de ver as condições físicas e de saúde do bicho ao final de cada apresentação", assegura. Enquanto sonha em atuar em arenas renomadas, como Barretos, Jaguariúna e Americana ("a concorrência é grande", diz"), Dablyson coleciona histórias em cidades de Minas Gerais como Munhoz e Córrego do Bom Jesus, e nas arenas paulistas de Santa Luzia e Santo Antônio de Posse.

Foto: Maria Elisa Moraes/Site JC

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