• Da redação

No Dia do Professor, educadores de Holambra destacam amor pela profissão como "combustível&quot


Saiba como a data comemorativa surgiu e confira o depoimento de professores que atuam na Cidade das Flores, dedicando todo o tempo e amor a seus alunos.




Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção.

Quem ensina aprende ao ensinar; e quem aprende ensina ao aprender.

- Paulo Freire (1921-1997), educador, pedagogo e filósofo.

O dia 15 de outubro é marcado por uma ocasião extremamente especial: nesta data se comemora o Dia do Professor no Brasil. Em grande parte das escolas, tanto a equipe de coordenação quanto os alunos prestam homenagens a estes importantes profissionais, reconhecendo e valorizando seu trabalho. No entanto, mesmo diante de tantas comemorações poucos sabem como e quando surgiu este costume no país.

No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos deveriam ter suas escolas de primeiras letras”. Esse decreto abrangia pontos como a descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A ideia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima, caso tivesse sido cumprida.

Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia dedicado ao Professor. Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”.

O longo período letivo do segundo semestre ia de 01 de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias em todo o período. Quatro professores tiveram a ideia de organizar um dia de parada para evitar a estafa e promover o congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.

Sendo assim, o professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. Com os professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a ideia estava lançada, para depois crescer e implantar-se por todo o Brasil.

A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963.

O Decreto definia a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".

Amor e dedicação

De acordo com o Censo Escolar de 2016, o Brasil tem 2 milhões de professores na Educação Básica, a maioria atuando na rede pública de ensino (76,8%) e em maior concentração na área urbana (84,5%). O Ensino Fundamental 2 (6º ao 9º ano) é a etapa de aprendizado com maior número de professores (quase 800 mil).

Sendo assim, para falar sobre esta profissão que é de extrema importância para a formação profissional e, em alguns casos, até pessoal dos alunos, o site do Jornal da Cidade conversou com três professoras atuantes nas redes, municipal, estadual e particular em Holambra.

Nos depoimentos as profissionais da educação falam sobre como escolheram a área e porquê, quais as maiores dificuldades que enfrentaram ao longo da carreira, valorização do professor no Brasil e influência dos mesmos na formação educacional e pessoal do aluno. Confira.

Angela Azevedo da Fonseca Durante, 45 anos- Língua Portuguesa - Escola Estadual Ibrantina Cardona


"Eu leciono há 25 anos, sempre ministrando aulas de Língua Inglesa e Língua Portuguesa. Estou no Ibrantina desde 2007 mas já dei aulas na escola municipal Parque dos Ipês e para o EJA também. Sempre digo aos meus alunos que um dos primeiros presentes que recebi, com poucos anos de vida, foi uma lousa. Então acredito que muitas vezes nascemos com certos dons a serem colocados m prática. Eu realmente decidi por fazer Letras e continuar na profissão, apesar das dificuldades.

Durante estes 25 anos de trajetória a maior dificuldade que encontrei foi em relação à disciplina do aluno, o relacionamento entre aluno e professor. Na aprendizagem também existem dificuldades, ainda mais hoje, que você tem que disputar com o celular e as redes sociais. O maior desafio é despertar o interesse do aluno para os ensinamentos que você tem a passar em sala de aula. Na minha carreira nunca sofri uma agressão física, mas agressões verbais já cheguei a sofrer. No entanto, acredito que o respeito e o vínculo com uma professora com mais idade acaba sendo diferente, os alunos te enxergam de uma forma diferente.

Eu realmente amo minha profissão e não me vejo fazendo outra coisa. Às vezes paro e penso:"O que eu faria se não fosse professora, para que caminho eu vou?", e nada vem à cabeça. Acredito que hoje e sempre nossa profissão é muito importante, pois nossa sociedade está carente de parâmetros. O professor é um exemplo, e apesar de não sermos tão valorizados enquanto profissão no nosso Brasil, imaginamos o que seria da sociedade se não estivéssemos presentes nas salas de aula. Para lecionar é necessário amar e se dedicar, e é isso o tenho feito nestes 25 anos".

Nilmara Soares Sikanci, 53 anos - Língua Portuguesa - Escola São Paulo (ensino particular)


"Eu dou aula desde meus 17 anos ou seja, já são 36 anos, mais ou menos. Atualmente leciono para ensino fundamental 2 e ensino médio, além de cursos de inglês e cursos de graduação. Talvez eu não tenha escolhido a profissão mas sim a profissão me escolheu. Eu estudava em uma escola que formava professores e acabei saindo porque não queria ser professora. Buscando minha independência, comecei a trabalhar cedo e meu primeiro emprego foi dar aulas de inglês. Foi assim que descobri a paixão por lecionar.

Acredito que o maior desafio do professor é transmitir o conhecimento de uma forma que os alunos entendam, pois na faculdade você não aprende como dar aula, isso depende da sua dedicação e criatividade. Outro fator que é um grande desafio, mas, ao mesmo tempo o grande fascínio da profissão, é esta mudança de turmas todos os anos, ou seja, esta atualização pela qual o professor passa. Isso faz com que você busque sempre coisas novas e esteja sempre em desafios constantes. Se você não vê o dar aula como prazeroso você não consegue. Todos os dias você lida com humores diferentes, tem que trabalhar muito e fora do horário normal de trabalho, com correção de provas e preparação de aulas por exemplo.

Acredito que o desrespeito com o professor seja um consequência da desvalorização do professor na sociedade, ou seja, algumas pessoas não enxergam o professor como uma oportunidade de crescer na vida, como uma ponte para o futuro, sendo assim não valoriza o profissional.

Apesar de tudo é fascinante dar aula. Você tem sempre que estar se reinventando, se descobrindo, e eu amo isso. Eu percebo o quanto o cresci na profissão e essa renovação pela qual eu passo é o que me motiva todos os dias a estar aqui".

Viviane Cristina Guedes, 37 anos - 5º ano da Escola Parque dos Ipês


Comecei a dar aula com 17 anos, ou seja, há 20 anos. Eu comecei com educação infantil e já trabalhei com reforço e ensino médio. Há 8 anos me efetivei em Holambra. Desde pequena meus presentes era uma lousa e uma caixa de giz, o que me deixava extremamente feliz, como minha mãe dizia.

Para mim, a maior dificuldade que encontrei foi a aceitação dos pais devido a minha idade. Depois foi enfrentar o desafio da indisciplina dos alunos e principalmente a ausência dos pais. Acredito que antes os pais eram mais presentes na vida familiar e escolar dos alunos, mas hoje, devido ao trabalho e ao fato de tanto o homem quanto a mulher terem que trabalhar para sustentar a família, o tempo acaba ficando um pouco mais escasso.

Antes o professor era uma autoridade com respeito, o que favorecia o trabalho com os alunos. Mas atualmente o professor sofre uma desvalorização profissional, em vista de outros profissionais. Nós deveríamos ser mais valorizados no Brasil, ainda mais perante a política que temos.

Se o professor for trabalhar por dinheiro e valorização apenas não basta. Se você não gosta, não ama realmente o que faz, não há maneiras de continuar. Você tem que gostar muito da área da educação e saber se é disso que você realmente gosta. O professor é um espelho para os alunos, desde uma roupa que você veste ou a cor de um batom que você usa. Na parte pessoal, principalmente, pois além da parte educacional, querendo ou não o professor colabora com conselhos e palavras amigas que acabam contribuindo para a formação pessoal do aluno", diz Viviane Guedes.

No complemento desta reportagem o Jornal da Cidade deseja a todos os professores e professoras um Feliz Dia do Professor e sinceros agradecimentos por colaborarem em grande escala para a formação profissional e pessoal de seus alunos, futuros cidadãos de Holambra e do Brasil.

Fotos: Maria Elisa Moraes/Site JC e Divulgação/Internet

Fontes de pesquisa: http://www.portaldafamilia.org.br e http://www.todospelaeducacao.org.br

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