• Da redação

Margareth Park, autora da Editora Setembro, lança livro que reforça a importância das hortas e jardi


Em “Plantas Brincantes” a escritora busca estimular a recreação por meio dos jardins e hortas. Confira.


É só voltar à infância e lá estão elas: coloridas, em formatos e tamanhos variados, com nomes regionalizados. Infelizmente, não são tão comuns a todos, mas apenas àqueles que tiveram o prazer de crescer rodeados de verde ou que tiveram a possibilidade de levar o verde para dentro de casa: são as plantas dos pequenos ou imensos jardins e hortas (na maioria das vezes, cultivados juntos, harmonicamente) que, ao longo da infância, estimularam a criatividade e enriqueceram as memórias de muitas gerações, oferecendo ‘brinquedos’ infinitos, criados a partir da imaginação de cada criança.

Para relembrar e, principalmente, estimular a reinvenção dos “jardins, hortas, quintais e brinquedos”, a escritora Margareth Park (confira entrevista), pedagoga com doutorado em Educação, ambos pela Unicamp e pesquisadora da Área da Memória, lança amanhã, 21 de outubro, o livro “Plantas Brincantes”, pela Editora Setembro.

O livro conta com ilustrações feitas pela artista plástica Darly Pellegrini, que foi além de fotografar as 12 plantas citadas no livro: o desafio foi fazer intervenções usando cerâmica, as quais deixam o leitor indeciso: é planta natural ou uma imitação artística? Segundo Darly, seu trabalho foi “dar continuidade à brincadeira” proposta por Margareth Park. Assim, enquanto a autora poetiza as plantas e recordava o seu uso na infância, Darly inseriu cada uma delas em fotos trabalhadas, “criando uma confusão” para o leitor: isto acontece com os girocópteros e flamboyants, cujas vagens naturais foram imitadas com perfeição pela artista plástica. Em outros casos, a cerâmica ganha formato de objetos, como é o caso de um porta-joia para guardar as coloridas flores conhecidas por brinco-de-princesa.

Darly ressaltou o prazer em fotografar e planejar cada foto. Por morar em Sousas, destacou que todas as plantas foram facilmente encontradas e a única dificuldade foi fotografá-las na época certa: assim, obedecendo o ciclo da vida, a paineira-rosa ficou por último, pois Darly queria os frutos, chegando às sementes envoltas em fibras finas, chamadas de paina. Na poesia de Margareth, a paina é a “neve tropical”. Finalizando o trabalho, Darly admitiu: hoje está mais atenta, com os olhos treinados para achar e admirar as plantas que estão por todos os lados.

Cada flor, um brinquedo!

Margareth Park tem inúmeros livros e artigos publicados, muitos deles na área infantil. Pela Editora Setembro e para o público infantil, já publicou

“Amabile e Tranquila, minhas duas nonas”. Confira entrevista sobre o “Plantas Brincantes”.

Jornal da Cidade: Quando surgiu a ideia de lançar este livro? E como surgiu a ideia do nome, Plantas Brincantes?

Margareth Park: Quando comecei a reviver essas brincadeiras junto com os netos. A ideia do título nasceu da reflexão sobre brinquedos e consumo infantil. Comecei a rememorar o número de brinquedos que colhíamos em jardins, inventávamos, construíamos…comprávamos poucos brinquedos e brincávamos muito. Tínhamos tempo e espaço para nossas brincadeiras.

Jornal da Cidade: A senhora selecionou 12 plantas (12 meses, um ciclo): precisou deixar algumas flores fora do livro?

Margareth Park: Deixei muitas delas e já estou preparando mentalmente o Plantas Brincantes 2. Um exemplo (que ficou fora do livro)? O bambu: era com suas raízes que fazíamos os tacos para jogar bétis.

Jornal da Cidade: Para quem direciona este livro?

Margareth Park: Para adultos que gostam de visitar suas infâncias, pais que gostam de ler para os filhos, educadores, adolescentes criativos, crianças, avós que adoram jardins e horas, floristas, paisagistas que gostam de pensar espaços lúdicos e pessoas que gostem de ler poesias!

Jornal da Cidade: A senhora relaciona as plantas com brincadeiras. Acredita que este tipo de diversão ainda é possível nos dias de hoje?

Margareth Park: Acredito sim, meus netos brincam com plantas, aprendem cores, selecionam sementes, têm educação sensorial plena. Para incentivá-los precisamos oferecer a eles os espaços de fruição, jardins, minijardins de apartamentos, hortas: das enormes das avós às minúsculas em vasinhos.

Levá-los a espaços públicos e ensiná-los a olhar para o entorno, ver árvores, flores. Tocar plantas para sentir suas pétalas e folhas. Mostrar a elas os pequenos insetos que habitam os vasos... Tais sugestões podem trazer muito prazer a todos, não só às crianças!

Jornal da Cidade: A senhora aborda a importância de reinventar jardins. Neste caso, quais são as barreiras que impedem que cada criança consiga enxergar a magia de cultivar um jardim?

Margareth Park: A demonização dos espaços públicos que atualmente são ameaçadores, os espaços exíguos de habitação, a visão higienista de que a terra é suja, contaminada. Que as folhas das plantas caem trazendo sujeira e riscos... Os jardins planejados para não dar manutenção, plantas exíguas, sem flores, sem sombra…sem.... A “ falta de tempo” para cuidar. As plantas precisam do tempo das pessoas e em troca lhes ensinam disciplina, estética e lhes oferecem a vida em toda sua plenitude.

Jornal da Cidade: Holambra tem características que favorecem este tipo de brincadeira?

Margareth Park: Com certeza, o imaginário e a configuração dessa cidade nos remetem imediatamente às plantas.

Lançamento

21 de outubro, das 14h às 18h.

Local: Mourão Móveis Rústicos e Paisagismo - Av. Antônio Carlos Couto de Barros, 1400, Sousas, Campinas.

Para compra: sede da Editora Setembro (mesma do Jornal da Cidade: Galeria Hulshof, na Rota dos Imigrantes) ou pelo e-mail comercial1@jcholambra.com.br.

Foto: Divulgação/Internet

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