• Da redação

Finados: Conheça algumas características desta data em Holambra


Ouvimos o que a data representa para alguns holambrenses e revelamos detalhes que poucos conhecem sobre o único cemitério local.


Para cada pessoa, o dia de Finados e até mesmo a morte possuem um significado diferente. Para uns a data não é sinônimo de tristeza, mas sim de tranquilidade pelo ente querido estar em um mundo diferente do nosso, apesar da saudade. E para outros ela faz relembrar ainda mais os velhos tempos, e faz com que a dor de uma perda seja ainda mais intensa.

No caso de Maria da Luz Alves Araújo (59), moradora do bairro Palmeirinha que perdeu o filho em um acidente há 7 anos, o dia de Finados aflora ainda mais a saudade e a lembrança. "Para ser sincera, quando venho visitá-lo aqui (cemitério) me sinto mais triste e, no dia que antecede bem como no dia mesmo, de Finados, parece que a dor fica mais forte. É como se fosse algo tão recente... Não cai a ficha de que fazem sete anos já", disse.

Já para Nádia Christiane Souza Leite (31), também moradora do bairro Palmeiras e que perdeu o avô, ir ao cemitério e visitar o local não simboliza tristeza mas sim saudade e até mesmo um ato de cuidar do local onde ele atualmente fica. "Para mim não é uma obrigação vir até o cemitério e vê-lo mas sim, um ato de amor e cuidado. Nunca deixamos seu túmulo sem flores e, apesar da saudade, procuro sempre me lembrar das coisas e dos momentos bons com ele", afirmou.

Para hoje, 2 de novembro, Dia de Finados, cerca de 900 pessoas são esperadas no cemitério. O movimento começou na quarta-feira, 1º de novembro, quando muitos holambrenses já enfeitaram os túmulos de seus familiares. José Marcos de Souza, o Tatu, considera o cemitério de Holambra “diferenciado” em relação à maioria das cidades. “Todas as sepulturas são iguais, não permitindo a diferenciação do rico e do pobre. É muito bonito, pois aqui todos são iguais”, disse, lembrando que o espaço segue o modelo holandês, fato que confirmou há dois anos, quando esteve na Holanda.

Para manter o padrão a Prefeitura estabeleceu algumas regras, como a proibição do plantio de plantas no chão e a colocação de apenas uma jardineira em cada túmulo. Flores artificiais, que podem virar criadouro do mosquito Aedes aegypti, não são permitidas, mas é liberada a colocação de imagens de santos.

Quase no limite

Segundo Tatu, holambrense que trabalha voluntariamente no local há mais de 10 anos, a capacidade do cemitério de Holambra pode ser esgotada em três anos: restam 150 sepulturas, número que pode se esgotar num prazo de três anos. Inaugurado em 1980, o cemitério tem, atualmente, cerca de 150 sepulturas disponíveis – anualmente são feitos, em média, 50 enterros – e já recebeu pouco mais de mil sepultamentos.

Tatu pontuou ainda que o número de enterros não corresponde ao número de covas, o que pode interferir no tempo em que o local ainda receberá novos sepultamentos. Com a possibilidade de esgotar a capacidade do cemitério nos próximos anos, Tatu informou que a Prefeitura já estuda novas áreas, além da abertura de um segundo cemitério constar no Plano Diretor.

Explicou que quando for aberto um novo espaço, o atual continuará em funcionamento, pois muitas sepulturas duplas contam com apenas uma pessoa, além da possibilidade da retirada da ossada e reutilização do mesmo túmulo por familiares.

Trabalho voluntário

O trabalho de Tatu é voluntário e ele ajuda em todos os passos do sepultamento: algumas vezes, acompanha funcionários da funerária até a casa dos familiares e está presente na hora do funeral. Ele disse que é preciso ficar disponível 24 horas por dia e, com 12 anos de experiência neste serviço, garante que é um trabalho normal. “Antes tinha receio, medo. Mas agora vejo com naturalidade”, disse.

Enfatizou também que “enterrar pessoas da família faz parte do trabalho”, mas há a opção de outro funcionário se responsabilizar pelo sepultamento. Completou que aprendem a controlar a emoção com o tempo, mas acredita que enterrar crianças é a parte mais difícil deste trabalho. “Sempre sofro quando é criança”, reforçou.

Funcionários da Prefeitura são responsáveis pelos trabalhos do velório e do cemitério. Fabiane Regina Gonçalves dos Santos trabalha na Prefeitura desde 2003 e está no cemitério desde 2013. “Acostumar com o trabalho foi fácil, mas continua sendo difícil ver as famílias nesses momentos de dor. Mas é um trabalho necessário e então tentamos ajudar as famílias como podemos, consolando, apoiando”, disse, ao destacar que apesar do seu trabalho ser no velório, procura ajudar “os meninos” quando necessário, colaborando na hora dos sepultamentos e até na remoção das ossadas.

"É um trabalho que não tem horário e posso ser chamada a qualquer hora. Mas aqui tudo é tranquilo e não tenho medo dos mortos. Precisamos temer os vivos”, disse.

Foto: Maria Elisa Moraes/Site JC Holambra.

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