• Da redação

Nordeste na mesa: mungunzá salgado!



Numa semana marcada pela insensatez - maneira polida de falar, pois o correto seria falta de vergonha de alguns membros do Supremo que abusam do poder que lhes é outorgado, em função de interesses escusos que atrasam o desenvolvimento político e econômico do país –, os brasileiros tiveram um pequeno alento com a vitória da seleção brasileira na Copa do Mundo, na Rússia (último jogo da fase eliminatória).

Este tema sempre gerou controvérsias, pois os olhos da nação que deveriam estar focados nos dirigentes do país e na maneira equivocada de como exercem o seu ofício, lesando os que deveriam proteger, se direcionam para o futebol e se alienam do caos, explodindo em alegria a cada gol ou jogada de efeito da seleção canarinho.Se isto é coerente ou não, cabe ao julgamento de cada um, mas que o futebol é um esporte lindo e que ver a seleção em campo enche a alma de orgulho e que cada resultado positivo nos traz alegria e esperança em dias melhores, não resta dúvida. E espairecer um pouco só faz bem e potencializa nossa energia.

Envolvido num misto de alegria e tristeza, o brasileiro segue tocando a sua jornada, do jeito que pode e com as ferramentas que possui, seja na vibração do gol, seja no calor das festas juninas que pipocam pelo país.

Para reforçar que nem só de mazelas vive este país e que os horizontes do povo brasileiro vão muito além de seus dirigentes corruptos destaco, com enorme alegria, que choveu no sertão e a terra ressequida se cobriu de verde, mudando a paisagem e trazendo alegria e esperança aos agricultores sertanejos, trabalhadores corajosos e resilientes, que enaltecem com sua labuta dura o orgulho de ser brasileiro.

Para entrar na vibração dos sertanejos, a coluna desta semana vem novamente com sabor de Nordeste, com a receita do mungunzá salgado, que por lá é consumido basicamente o ano inteiro, mas é item imprescindível nas festas juninas.

O “mungunzá” (salgado), palavra de origem africana, que em português se traduz para milho cozido, lembra uma feijoada e geralmente é consumido como jantar. Por ser bastante forte, é consumido no sertão por volta das 17 horas, para que dê tempo de fazer uma digestão tranquila. Prato essencial para os nordestinos que hoje, com as facilidades de outras comidas, perdeu um pouco a sua força. O prato é perfeito para servir nas festas juninas, ou nas confraternizações para assistir aos jogos da nossa seleção!

Ingredientes (10 porções)

500 g de milho para mungunzá/canjica (pode ser o branco ou o amarelo)

200 g de costelinha de porco salgada

200 g de carne de charque picada em tamanhos médios

1 linguiça calabresa

1 linguiça paio

1 cebola ralada

1 pimenta dedo de moça picada

2 pimentas Cambuci picadas

6 dentes de alho amassados

2 colheres (de sopa) de óleo

1/2 colher (de chá) de pimenta do reino

1 colher (de sobremesa) de colorau

Sal a gosto (com moderação, pois as carnes já são salgadas)

PREPARO

Na noite anterior deixe as carnes e o milho de molho. Coloque a charque e a costelinha numa vasilha com água, para tirar o sal. Deixe na geladeira e troque a água algumas vezes. Em outra vasilha coloque o milho, cubra com água e deixe hidratando. No dia seguinte coloque a charque em uma panela, cubra com água e leve ao fogo por 40 minutos. Depois acrescente a costelinha e deixe mais 30 minutos. Deixe uma panela com água quente ao lado, pois se for precisando de mais água na panela do mungunzá, você vai acrescentando água quente. Depois do tempo acrescente o milho e deixe cozinhando até ficar bem macio (o meu ficou uns 40 minutos). Em outra panela coloque o óleo e frite o alho e a cebola. Junte o colorau, as pimentas picadas e a pimenta do reino e reserve. Corte a linguiça calabresa e o paio em rodelas e depois que o milho estiver macio junte-os na panela e mexa bem. Acrescente a mistura da cebola e do alho e acrescente mais água quente se precisar. Deixe cozinhar até o caldo engrossar um pouco (cerca de 30 minutos), mexendo de vez em quando para não grudar no fundo. Quando engrossar um pouco, já está bom. Sirva e se delicie!

RENDIMENTO: 10 Porções!

ACOMPANHAMENTO: Boa companhia!DICA: Enquanto as carnes estiverem cozinhando, vá retirando a gordura que fica por cima, isso vai deixar o prato mais leve. Se fizer o preparo em panela de pressão, o tempo de cozimento se reduz pela metade.

NOTA: ”Eu nasci na Paraíba,Me criei no Ceará,Moro na Cachoeirinha,Município de Tauá/Quando o mês tem trinta dias/São sessenta Mungunzá” (Autor sertanejo desconhecido)


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