• Da redação

Mulheres ‘se libertam’ das colorações



Cabelos brancos ganham cada vez mais adeptas, mas é preciso adotar cuidados extra

Na telona, em “O Diabo veste Prada”, de 2006, a atriz Meryl Streep, no papel de Miranda Priestly, a editora-chefe de uma revista de moda, era sinônimo de elegância e sofisticação. Seus cabelos brancos faziam toda a diferença na montagem da sua personagem e já anunciava uma tendência que não para mais de crescer: a revolução do grisalho.

Mas se muitas famosas optam por cabelos brancos para ‘dar vida’ a algum personagem ou até mesmo para o seu dia-a-dia – como é o caso da global Cássia Kis –, milhares de mulheres anônimas também seguem nesta direção. E, muitas vezes, a explicação é a mesma: assumir os fios brancos, sem se preocupar com estereótipos, é libertador.

Na internet, tem até sites focados nesta “revolução grisalha” e os cabeleireiros já se atentaram para esta nova tendência: sem coloração, mas com corte moderno. “As mulheres que assumem o cabelo branco normalmente optam por cortes mais curtos e sofisticados”, disse a cabeleireira Nara Brunhani da Silva, ao apontar que em seu salão, em Holambra, tem aumentando o número de clientes que, mesmo com pouco cabelo branco, tem optado pelo fim da coloração. “Normalmente, esta tendência é mais comum entre clientes que já tem, em média, 60% de cabelos brancos”, disse. E completou: muitas pessoas, na faixa dos 30 anos, já contam com um volume grande de cabelos brancos e esse grupo opta por luzes ou mechas que ajudam a disfarçar os cabelos brancos. “Mas as mulheres, acima dos 55 anos, têm maior tendência a assumir os fios brancos”.Nara ressaltou que nem todas as clientes que avaliam a possibilidade de assumir os fios brancos conseguem mantê-los. “A transição é muito difícil. O cabelo fica marcado pela coloração antiga e, esteticamente, fica feio. Então, é preciso ter paciência”.

No salão de Fernando Gonçalves de Oliveira, as mulheres que contam com 80% dos fios brancos acabam optando por assumi-los e a dica é apostar, também, em um corte moderno e despojado, mas que se enquadre no perfil e estilo de vida da cliente. “Geralmente são mulheres acima dos 50 anos, que querem ficar livre da química, não sendo mais reféns de salões a cada 15 dias”, resumiu. Fernando e Nara concordam: coloração pode ser mais cara, mas tanto manter os cabelos brancos quanto retocá-los exigem cuidados constantes, desde hidratações até compra de produtos específicos (para os fios brancos, tem os conhecidos xampus ‘roxinhos’, que não deixam os fios amarelados). “Cabelos brancos são uma tendência”, reforça Fernando.

Então, para quem quer ter os cabelos brancos, os cabeleireiros recomendam muitas hidratações e cuidados especiais, pois a textura do cabelo é completamente diferente dos outros fios: são mais grossos e ásperos e, em alguns casos, até mudam o formato. “Cabelo branco, hoje em dia, não é mais classificado como relaxo ou falta de cuidados e, sim, como sofisticação. É chique ter cabelos brancos, bem cuidados e lindos. Tenho muitas clientes com esse perfil e acho o máximo”, completou Nara.Branco, com orgulho!

A empresária Solange Maria Pereira, de 60 anos, assumiu os fios brancos há dois anos, mas o primeiro passo foi raspar o cabelo: em 17 de agosto de 2016, dia do seu aniversário, pagou a promessa de raspar o cabelo após seu marido se recuperar de um câncer. “Tinha fios brancos desde os 25 anos, mas sempre optava pela coloração”, disse.Após raspar, quando os fios começaram a nascer, Solange resolveu que não usaria mais tinturas. “Então, não precisei enfrentar a transição, que muitas vezes é difícil”, explicou, ao frisar que não foi influenciada pela nova tendência.

Ela pontuou que há preconceito em relação aos cabelos brancos, “todos tentam mudar a sua cabeça, dizendo que vai envelhecer, vai ficar horrível”, mas garantiu que já estava decidida e citou que as pessoas mudam de opinião ao se acostumar com o novo visual, “todo arrumadinho”. “É preciso ter atitude, cuidar, ter corte legal. Mas no final, é o nosso gosto que importa e assumir o cabelo branco é libertador”. Acostumada a pintar os fios de vermelho desde os 25 anos, Solange comenta que, hoje, as pessoas chegam a perguntar se seu cabelo é natural. “Eu me sinto muito bem com a minha escolha”.

A professora aposentada Wilma Di Antoni Mazaro, de 69 anos, deixou de tingir o cabelo há cinco anos. “Cansei. E gosto dele grisalho. Não senti nenhum preconceito e as pessoas gostam da cor dele”, disse, ao frisar: o que importante é como se sente. “E está mais fácil de cuidar”, completou.


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