• Da redação

Spreekt u Nederlands?



Pesquisa holandesa voltada aos emigrantes quer mapear locais em que se fala o holandês

A tradução do título é simples: você fala holandês? Esta pergunta norteia uma pesquisa recém-lançada por linguistas do Meertens Instituut (Instituto Meertens), de Amsterdam, em colaboração com a Taalunie (União do Idioma Holandês), da Holanda. À frente do projeto está a professora holandesa Nicoline van der Sijs, mas, há “cientistas-cidadãos” para auxiliar na divulgação da pesquisa em vários países. Em Holambra, os imigrantes que encontrarem dificuldades para acessar a pesquisa ou para respondê-la poderão contar com a colaboração de Annemarie van der Knaap.

Ela reforçou que a pesquisa é direcionada aos imigrantes holandeses – e aos flamengos que também falam holandês – e seus descendentes e o objetivo é mapear onde há falantes nativos de holandês, de um dialeto ou idioma regional falado na Holanda ou Flandres (região do norte da Bélgica onde também se fala holandês). “Querem saber onde vivem, em quais situações eles usam sua língua materna e se eles passam sua língua para a próxima geração”, resumiu.

Annemarie explicou que faz parte da comissão do Museu Histórico de Holambra e entre suas tarefas está manter contato com a Holanda, através de instituições e pessoas que procuram informações sobre Holambra e a história da cidade. Assim, foi contatada pelo Instituto Meertens. “Eu divulgo a pesquisa e posso ajudar as pessoas a respondê-la. Existe uma rede de cientistas-cidadãos desse projeto no mundo. Mantemos contato pelo Facebook e trocamos ideias e sugestões por e-mail”.

Holandês em Holambra

Especificamente sobre a língua holandesa falada em Holambra, Annemarie destacou que os imigrantes que usam o holandês “falam bem”, sendo mais comum entre os pioneiros. “Claro que eles (primeira geração) também falam português, mas não como língua materna. Já a segunda geração tem o holandês e o português como línguas maternas, mas depende um pouquinho da idade deles e com qual idade emigraram”. Nesta segunda geração, explicou Annemarie, é possível perceber problemas com a escrita: essa geração foi criada por pais que falavam holandês, mas boa parte não aprendeu a escrever. “E a terceira geração quase não fala holandês.

Raramente encontro jovens que dominam o holandês aqui em Holambra”, disse, ao pontuar que na terceira geração é mais comum casamentos mistos e esses descendentes têm o Brasil como sua pátria. “Mas dominar outras línguas dá oportunidades extras, como estudar ou trabalhar fora do país”, completou.

Ela pontuou que a língua é viva e, como no Brasil, novas palavras e expressões surgiram na Holanda desde a imigração dos primeiros holandeses mas, ainda hoje, Holambra recebe muitos imigrantes. “Os descendentes dos imigrantes se misturam cada vez mais com os brasileiros. Eles são brasileiros na verdade. A tendência é que a língua holandesa seja menos falada de geração em geração. Mas, ainda nas últimas décadas, Holambra recebeu muitos holandeses e isso dá um novo impulso à língua holandesa. E por causa do turismo, também percebi mais interesse em se aprender holandês, enquanto mais netos dos imigrantes estão mostrando interesse em ir estudar ou trabalhar na Holanda”.

O link para acessar a pesquisa, em português, é https://www.meertens.knaw.nl/surveys/index.php/989927/lang-pt-BRE

para a pesquisa em holandês:

https://www.meertens.knaw.nl/surveys/index.php/179127/lang-nl


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