• Da redação

Campanha Novembro Azul atrai pacientes e aumenta o número de exames



Médico pontua que ainda existe preconceito, mas quanto mais informação, maior é a participação

O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, perdendo apenas para o de pele. Mas desde o lançamento da campanha “Novembro Azul”, em 2014, pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), tem aumentando o diagnóstico precoce da doença e, consequentemente, diminuído o preconceito em relação ao exame de toque retal.

O urologista Humberto Marino de Lúcia, médico que atende em Holambra, frisou que o principal retorno da campanha tem sido a conscientização da população masculina sobre a importância dos exames, mas, ainda hoje, alguns homens ainda têm preconceito e não passam pelas consultas e procedimentos de rotina.

Marino de Lúcia explicou que os exames são recomendados para todos os homens a partir dos 50 anos, mas há exceções: homens com histórico de câncer de próstata na família e homens negros devem iniciar os exames de rotina entre 40 e 45 anos. De acordo com o médico, quando há histórico familiar (parentes de primeiro grau), triplicam as chances de se desenvolver o câncer de próstata.

O diagnóstico é feito a partir de exames de sangue (PSA), toque retal e ultrassom transretal. Segundo estudos que compararam a eficiência dos exames separados e associados, “a melhor dupla é o PSA com o toque retal”, com 98% de precisão. “Se o exame de toque der alterado, a chance de se ter câncer de próstata é alta, chegando a 80%”. Já o PSA alterado pode indicar outras doenças, como infecção ou hiperplasia benigna. “O PSA alterado não significa câncer”, reforçou Marino de Lúcia, ao destacar que a hiperplasia benigna apresenta, entre os sintomas, dificuldade para urinar, jato fino, muitas idas ao banheiro, esforço e interrupção da urina.

Rotina

O urologista informou que o câncer de próstata cresce lentamente e, por isto, é importante manter os exames em dia – PSA e toque retal devem ser feitos todos os anos a partir dos 50 anos –, garantindo o diagnóstico na fase inicial. Esta rotina pode ser cancelada se, ao completar 80 anos, nenhuma alteração foi constatada. “O rastreamento permite o diagnóstico na fase inicial, o que garante até 90% de chances de cura”, pontuou, ao frisar que a probabilidade de cura fica restrita quando o paciente já apresenta sintomas como metástases e dores ósseas.

Ao ser confirmando em fase inicial, entre os tratamentos para o câncer de próstata estão radioterapia e cirurgia. Ultrassom transretal, biópsia e ressonância podem ser usados para a confirmação do diagnóstico.

Quando o tumor é pequeno, informou Mariano de Lúcia, alguns estudos defendem apenas acompanhamento, com exame de PSA a cada seis meses, além de e toque retal e ressonância de rotina. Mas completou: qualquer tratamento depende da decisão do paciente.

Impossível evitar

Marino de Lúcia frisou que não é possível evitar o câncer, mas alguns hábitos aumentam as chances, como a ingestão em excesso de carnes e gorduras. Já os frutos vermelhos, ricos em licopeno, devem ser ingeridos com frequência.

O urologista trabalhou por 25 anos na Policlínica e informou que a incidência de câncer avançado de próstata foi bem baixa neste período.Segundo dados, completou Marino de Lúcia, 25% dos pacientes diagnosticados morrem devido à doença, 20% dos pacientes são diagnosticados em estágio avançado e calcula-se que 68 mil novos casos serão confirmados este ano.


O tema da campanha deste ano é “O homem moderno se cuida: procure um urologista” e Marino de Lúcia acredita que o Novembro Azul tem contribuído para informar e orientar os pacientes, diminuindo o preconceito e levando “até mesmo os mais velhos” aos consultórios médicos.

O urologista ressaltou que as campanhas, as quais garantem mais informações aos pacientes, sempre contribuem para a redução de casos de doenças: quando o Ministério da Saúde lançou campanhas focando os riscos e doenças contraídas a partir do cigarro, diminui-se o número de tabagistas. Nos anos 90, quando as campanhas atacaram a Aids, todas as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) apresentaram queda. “Mas, hoje, sem campanhas, temos registrados mais casos de DSTs, como sífilis e HPV”, comparou, ao reforçar a importância do Novembro Azul para a saúde do homem.


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