• Da redação

Editora Holambrense publica livro de pesquisadora internacional


Lançamento do Livro Educação Ambiental Empresarial: Um instrumento de mudança? aconteceu na última quinta-feira (31) em Brasília (DF)

A editora Setembro publicou na última quinta-feira (31) o livro "Educação Ambiental Empresarial: Um instrumento de mudança?", da pesquisadora Lilham de Souza Ferro Barbosa. O lançamento aconteceu em Brasília na noite de ontem e contou com a presença de autoridades no assunto. Lilham é Docente no Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências da Angola (ISPTEC) e seu livro é um resumo dos seus estudos em fundamentos microeconômicos da macroeconomia com foco na responsabilidade social e ambiental.


Segundo a autora, a obra publicada pela tradicional editora de Holambra foi um sucesso. "O evento superou minhas expectativas, reunindo um público de diferentes gerações como sociólogos, órgãos ambientais e intelectuais de diferentes áreas", afirma.

Confira uma entrevista feita pela editora Setembro que detalha a trajetória de Lilham:

Editora Setembro: Quais foram os princípios que nortearam sua inserção na vida acadêmica? Lilham: Minha formação universitária começou em meados de 1999 na Universidade Católica de Brasília, no qual ingressei no curso de economia e finalizei em 2003. Já em 2004 vi a necessidade de fortificar as minhas habilidades e competências nas exatas e iniciei uma pós-graduação em matemática aplicada à economia e administração om foco na otimização linear e não linear na Universidade de Brasília – UNB. Em 2005 quando finalizei a pós- graduação recebi um convite para lecionar análise matemática na Universidade Católica de Angola, no entanto , por incompatibilidade de agenda só em 2006 pude estar em Angola. Neste mesmo ano passei em um processo seletivo em Angola para integrar uma equipe multicultural de criação e implementação de uma universidade de referência em Angola, onde pude por minha paixão em prática de: Empreender e educar conectando a Universidade às empresas criando diferentes projetos de extensão com linhas de investigação com foco no tripé da sustentabilidade empresarial : econômico, social e ambiental. Em 2008 iniciei o mestrado em gestão e auditoria ambiental na Universidade de Léon- Espanha com estudo de caso em Angola, mas precisamente em uma fábrica do setor alimentício. Ainda no mesmo ano, o cenário econômico mundial passou a viver em um período sombrio, neste mesmo ano através também da Universidade contribui para o desenvolvimento de um modelo de risco para um banco Internacional e formações para o setor petrolífero. Em 2011 defendi meu mestrado advindo de uma paixão da autorreflexão coletiva envolvendo teorias e praticas empresariais que me possibilitaram Investigar e diagnosticar uma situação prática ou um problema que precisou ser melhorado ou resolvido dentro de uma empresa angolana; Formular estratégias de ação desta mesma empresa; Desenvolver essas estratégias e avaliar a sua eficiência; Ampliar a compreensão dessa nova situação e Prosseguir os mesmos passos para uma nova situação prática. Em 2012 a universidade deixou de ser projeto e passamos para implementação realizando o primeiro vestibular do ISPTEC, Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências. Em 2017 iniciei o doutoramento em gestão na UAN-Universidade Agostinho Neto, com parceria com o ISCTE- Instituto Universitário de Lisboa . Há 2 anos sou mentora do movimento mulheres empreendedoras S.E.A (Social , Económico e Ambiental) contribuindo para o empoderamento feminino empresarial atrelado a ciência. Com várias palestras, cursos e trabalhos no Brasil, Angola e Portugal.

Editora Setembro: Em Angola é professora de uma das mais respeitadas instituições de pesquisa e desenvolvimento de lá: o Isptec. Apesar da proximidade linguística e cultural entre Brasil e Angola, quais as principais características desse instituto?

Lilham: O ISPTEC nasceu em Fevereiro de 2005, com o inicio do projeto da construção das instalações da Universidade de Tecnologias e Ciências (UTEC) como iniciativa da Sonangol, de criar uma universidade com qualidade nos seus processos académicos, pedagógicos e administrativos. Houve avanço na construção das instalações físicas, destacando-se os edifícios administrativos, de ensino, laboratórios e um complexo desportivo. Em Março de 2008, foi criada a PDA – Pessoas, Desenvolvimento e Associados como promotora do Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISPTEC) com a responsabilidade de garantir o desenvolvimento integral da instituição e assegurar o seu financiamento. A 5 de Agosto de 2011, considerando as duas áreas de saber a implementar ao invés de quatro para preencher os requisitos previsto na legislação para criação de uma Universidade, o Conselho de Ministros aprovou, através do Decreto Executivo 111/11, a criação do Instituto Superior Politécnico de Tecnologia e Ciências (ISPTEC). Em Marco de 2012, iniciaram as atividades académicas no ISPTEC com a oferta de seis cursos de Engenharia (Mecânica, Civil, Eletrotécnica, Informática, Química e Produção Industrial) e dois cursos das áreas das Ciências Sociais Aplicadas (Economia e Gestão). As atividades de ensino funcionam nos turnos da manhã, tarde e noite. Hoje temos 3 Departamentos: Engenharias e Teconologias; Ciências Sociais Aplicadas e Geociências.


Editora Setembro: de que forma você participa das pesquisas do Isptec? Lilham: A formação em economia e pós - graduações em gestão com linhas ambientais me possibilitam trabalhar com educação empresarial e em projetos de extensão envolvendo: estudantes, empresas e sociedade em geral. Os estudantes desenvolvem competências e habilidades fora da sala de aula difíceis de adquirir na mesma. Os projetos de extensão dão a possibilidade dos alunos se envolverem com empresas públicas ou privadas e colocarem a teoria em prática com a educação contribuindo com os três pilares: o Econômico; o Social e o ambiental.

Editora Setembro: Angola é um país muito novo. A guerra da independência terminou em 1975. Mas, a guerra civil interna há apenas 15 anos. Quais as semelhanças e a diferenças entre os modelos de desenvolvimento angolano e brasileiro? Lilham: Os modelos de administração pública do Brasil e Angola foram ambos fragmentados. Temos o modelo patrimonialista, burocrático e gerencial para o Brasil. Já para Angola temos o colonial, revolucionário e democrático. Existem algumas similaridades e divergências entre o modelo de Administração Pública brasileiro e o modelo angolano. Quanto às convergências, percebe-se que ambos os países apresentam raízes culturais comparáveis. Nesse sentido, quando se atém às características da Administração Pública, em ambos os países, observa-se latente a existência de elementos como nepotismo, patrimonialismo, lobismo e favorecimento de uma classe elitista, como observa Santos (2006), em um estudo feito no Brasil, e Costa (2008), que afirma que a Corte Portuguesa se utilizava desses elementos na hora de estabelecer critérios para a posse de cargos públicos. O modelo burocrático brasileiro e o revolucionário angolano, de certa forma, convergem. Ambos tentaram estabelecer padrões para profissionalizar a Administração Pública. Percebe-se que as reformas gerenciais feitas no Brasil estão em patamares superiores às realizadas em Angola. Ao contrário desta realidade, a democracia no Brasil aconteceu de forma mais efetiva do que nos países africanos – no caso, Angola – apesar de que, na história política brasileira contemporânea, são discutidos vários problemas, como a Ditadura Militar. Apesar de todas as complicações encontradas em Angola, deve-se ressaltar que o modelo de Administração Pública Democrática Angolana avança ao buscar uma gestão que tem como objetivo a melhoria do serviço prestado ao cidadão. Enquanto, em Angola, a centralização administrativa permeia todos os três modelos estudados, no Brasil, conforme Faoro (2000) identifica, o fator que permeia Administração Pública é o patrimonialismo.

Editora Setembro: Em seu livro Educação Ambiental na Empresa, a Sra dá uma aula de metodologia de pesquisa quanti-qualitativa, com uma contribuição expressiva à ciência e às empresas que precisam se preocupar com o meio ambiente. Como se deu este processo de construção desta pesquisa? Lilham: O processo envolveu muita paixão antes de tudo e por volta de 600 encontros com os responsáveis da empresa/funcionários. A primeira fase foi a apresentação da metodologia e projeto para a aceitação e permissão da empresa . A segunda fase se caracterizou pelo mapeamento das principais necessidades da empresa, cultura e interação dos funcionários alinhadas ao conteúdo necessário para as formações para todas as áreas da empresa ,fazendo entrevistas, aplicando inquéritos, visitando e dialogando presencialmente na empresa diariamente com os funcionários. A terceira fase foi a implementação das formações começando pela Direção e traçando estratégias em conjunto com a empresa para as demais áreas. Os diretores contribuíram também para a formação das demais áreas, aprenderam diversos processos químicos de redução de resíduos e colocaram em prática ensinando os demais funcionários, foi apaixonante ter envolvido a direção para que o nosso contributo nas demais áreas fosse um sucesso e prazeroso. E nesse processo quali-quantitativo com foco na educação ambiental houve a articulação de diversas disciplinas e experiências educativas que facilitaram a percepção integrada do meio ambiente com a possibilidade de Investigar e diagnosticar uma situação prática ou um problema que precisou ser melhorado ou resolvido dentro de uma empresa angolana; formular estratégias de ação desta mesma empresa; desenvolver essas estratégias e avaliar a sua eficiência; ampliar a compreensão dessa nova situação e prosseguir os mesmos passos para uma nova situação prática.

Editora Setembro: A partir do resultado do seu trabalho, qual a mensagem às empresas – brasileiras, angolanas, de todo o mundo - que estão preocupadas (ou pelo menos deveriam estar) com a questão ambiental? Lilham: Tendo em conta que a educação empresarial ambiental por si só está ligada ao futuro, a melhoria dos processos, a inovação e melhor competitividade, ou seja, a sustentabilidade dentro da empresa é um objetivo não só de caráter social, como também lucrativo. Um profissional treinado é meio caminho andado, já um profissional treinado pela empresa, dentro de suas necessidades e capacidades necessárias para sustentabilidade da mesma, bom, aí o caminho está quase inteiro percorrido.

Editora Setembro: O que a Sra diria aos jovens que estão estudando e se preocupando com meio ambiente? Lilham: Se preocupar é importante, mas o mais importante mesmo é que participem e/ou criem projetos de extensão para perceberem a parte prática que uma sala de aula não possibilita e ao mesmo tempo identifiquem as necessidades e problemas advindos de diferentes locais da sua cidade ou país influenciando outros jovens a participarem deste movimento verde, desenvolvendo estudos e tornando esta prática cada vez mais inovadora e consistente cientificamente com foco não só no económico, mas no social e obviamente ambiental. Quem sabe assim acaba surgindo um indicador mais eficiente para medir a qualidade de vida em diferentes contextos no mundo. Já que a qualidade de vida está significativamente relacionada com o meio ambiente e não só com variáveis econômicas.

Editora Setembro: Em sua visão, como incorporar educação ambiental à cultura empresarial? Lilham: A gestão ambiental sistematizada pode ser vista como uma oportunidade para os dirigentes empresariais refletirem sobre o papel que suas instituições desempenham na sociedade, percebendo que suas responsabilidades socioambientais podem e devem ser ampliadas para além dos muros de suas instituições (cf LIMA et al, 2006). As ações de gestão ambiental são normalmente centradas no controle ambiental das suas atividades com a aquisição de equipamentos e tecnologias que garantam um melhor desempenho da empresa, não só ambiental, mas fundamentalmente operacional. O empreendedorismo universitário é muito importante também pois, possibilita o estreitamento universidade e empresa favorecendo a incorporação da educação ambiental envolvendo a cultura empresarial.

Editora Setembro: Como surgiu a ideia de elaborar esse livro? Lilham: Antes deste material se tornar em um livro ele foi um projeto desenvolvido dentro da minha dissertação de mestrado e que havia sido defendido em 2011 em forma de paper em uma revista americana. Sete anos depois envolvida em vários projetos de extensão e movida pela minha incansável mania/ paixão de incorporar variáveis ambientais nos estudos econômicos e minimizar problemas locais de Luanda-Angola no ambiente coorporativo/social vi a necessidade de transformá-lo em uma obra e fomentar estudos nesta vertente em Angola internacionalizando para outros países os resultados.


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