• Da redação

Adeus a Petrus Schoenmaker


Todas as pessoas que tiveram oportunidade de conhecer Petrus Schoenmaker, o Piet, no universo das danças: de salão, folclóricas ou circular sagrada, com certeza hoje renderam gratidão ao universo por terem-no conhecido.


Tornou-se mestre em organizar multidões e, com um pouco de treino, colocava em movimento no pulso da música pessoas que nunca tivessem dançado antes.


Sua alegria contagiante, aliada à sua grande estatura e vozeirão potente davam-lhe poder para tocar corações e mentes. Não por acaso tornou-se conhecido como a personalidade emblemática da Expoflora, maior festa das flores do Brasil e da América latina.


Nascido na Holanda em 30 de julho de 1944, alcançou o período final da segunda guerra mundial e o rastro de escassez e agruras que esse conflito armado provocou nos países atingidos.


Chegou ao Brasil com 15 anos, vindo direto para a cidade de Holambra junto com pai, mãe e 10 irmãos. Trabalhou arduamente na lavoura durante a adolescência e juventude, tornou-se membro da empresa familiar Terra Viva, um complexo agrário, hoje o maior produtor de flores do país, além de outros cultivos.


Sempre participou de movimentos solidários na comunidade holambrense e empenhou-se voluntariamente para preservar e nutrir as danças folclóricas holandesas, forte atrativo cultural da Expoflora.


Juntamente com sua esposa Ank e as filhas Lize e Simone, fundou o Instituto Dança Viva, cujo foco é levar a dança com o propósito de alegrar e curar as pessoas.


Hoje Holambra se despediu de seu cidadão ilustre, que faz parte da personalidade da cidade. Durante seu sepultamento, era visível a emoção que tomou conta do público, cuja imagem mais expressiva foi o semblante do Tulipinho, em que a tristeza do humano transcendeu a face do boneco, sob a chuva de pétalas cuidadosamente oferecida nos momentos finais.


E, para nós, que semanalmente dançávamos com ele, fica reverberante sua frase de encerramento das rodas, que era uma espécie de oração (mantendo o sotaque): "para lembrar que todos temos a mesma origem e o mesmo destino, um profunda respiração".


Por Izabel Ribeiro Domingues

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