• Da redação

Apostilas para ensino à distância serão disponibilizadas pela rede municipal de ensino

Pais aprovam e acreditam que apostilas serão a melhor forma, mas destacam falta de experiência para ensinar




Ter o conhecimento e a dinâmica dos professores para manter o filho envolvido, garantindo, pelo menos, o básico do aprendizado neste período de educação domiciliar. Com a volta das aulas em casa na próxima semana (veja nesta página), os pais estão parcialmente aliviados, uma vez que diminui a possibilidade da repetição do ano letivo. Por outro lado, eles reconhecem que o aproveitamento ficará aquém do desejado porque não dominam – mesmo tendo o material preparado pelo departamento - todo o conteúdo que seus filhos estudarão sob seus cuidados.

O filho da auxiliar administrativo Cristiane Neves tem 6 anos e está no 1o ano. Pelo medo do desconhecido, ela não se sente segura para enviar o filho para a escola, mesmo considerando “necessário”. Mas se a saída é ensinar em casa, ela acha que as apostilas serão a forma mais fácil, uma vez que “muitas famílias não possuem acesso fácil à internet”. E mesmo com as apostilas e suporte online, Cristiane admite que enfrentará outra dificuldade: ter a dinâmica e a experiência que os professores possuem, tanto para ensinar, quanto para manter o aluno focado nas atividades.


A guia do Museu de Holambra, Rita Gonçalves, é mãe de Gabriel e Anabela, alunos do 2o e do 5o ano, respectivamente. Durante a quarentena, Rita garantiu que se adaptaram bem. “Improvisamos brincadeiras e incluímos algumas tarefas de casa também”. Por enquanto, Rita afirma ter medo de enviá-los para a escola – a filha tem asma. “Tenho receio dela ter uma crise, precisar ficar internada e eu não poder ficar junto”. Com as aulas previstas para acontecer em casa, Rita acredita que as apostilas ajudarão “e muito”, principalmente para os pais que não conseguem ter acesso fácil à internet. ”Os pais poderão ter um guia de referência do que ensinar. Quero ensinar certo para que, quando voltarem para a escola, eles tenham um pouco mais de conhecimento. Mas não será fácil”. Na pior hipótese - de uma repetição do ano letivo - Rita disse que, caso seja necessário, aprovará. “Porque não vai adiantar passá-los de ano sem saber ler e escrever corretamente. Eu repeti e hoje entendo que realmente foi necessário”.


Leonardo, de 13 anos, é filho da produtora rural Ângela Maria Pereira da Silva e está no 8o ano. Por enquanto, as férias antecipadas foram preenchidas com atividades em família, desde jogos até culinária, e Ângela ainda não está segura para liberar seu filho para a escola. Se a saída for a educação domiciliar, Ângela acredita que o método online não será o mais eficaz. “Na minha opinião, um material com apostila e exercícios será a melhor opção. A escola poderia estipular uma data para entrega, para que o professor corrija, e uma reunião individual com os pais para dar um feedback”, sugeriu, ao apontar que ainda buscaria aulas no Youtube para ajudar nos exercícios e, para as crianças com maior dificuldade, o departamento poderia ministrar aulas de reforço posteriormente. Por fim, caso não dê certo, Ângela afirma que não gostaria que seu filho perdesse o ano letivo, mas pondera: “Não sei até quando vamos ficar em isolamento, mas ir direto para o 9o ano, sem o conhecimento necessário, não seria legal”.


O auxiliar administrativo John Mauro tem um filho de 10 anos na rede municipal e sua maior dificuldade é identificar o que deve ensinar, pois, “não tenho acesso ao material didático”. Ele acredita que, uma vez que desconhecem o potencial do vírus, é mais seguro que as aulas sejam retomadas em casa, via internet e material impresso. Porém, lista mais dificuldades: alguns pais precisam que o filho fique na escola para ir ao trabalho e outro ponto é a falta de conhecimento que possuem para ajudar o estudo do filho. ”Alguns pais podem não ter muitas habilidades, mas, com certeza, conseguem apoiar. Substituir um professor será improvável”. Sobre uma possível repetição, John não acha justo “que as crianças paguem” esse preço. “Minha sugestão para o departamento de educação é que comece a trabalhar rapidamente. Municípios vizinhos já implantaram o estudo via internet e papel impresso e está dando certo”.

Os alunos da rede municipal – em férias antecipadas desde o dia 22 de março – receberão, na próxima semana, apostilas com conteúdo de aulas e atividades para estudo à distância. O material foi preparado por educadores do Departamento de Educação e será entregue a mais de 2.300 alunos do berçário ao 9o ano do ensino fundamental.


O material reúne atividades para um período de 10 semanas, com temas que integram todas as disciplinas obrigatórias. De acordo com Alexandre Moreira, diretor municipal de Educação, a opção pelas apostilas busca assegurar igualdade na oferta de ensino a todas as crianças e adolescentes, uma vez que nem todos têm acesso a meios eletrônicos para estudar. “As atividades serão compostas por textos, lembretes pedagógicos, exercícios, sugestões de leitura e de atividades físicas. Haverá, ainda, recomendação de livros, filmes e experimentos de acordo com a idade do estudante”, explicou. “A determinação do prefeito é para que a Educação garanta a assistência necessária a todos, sem prejuízos à qualidade do ensino”.


Materiais extras serão disponibilizados pela internet no site da Prefeitura aos interessados e professores estarão à disposição nas escolas para tirarem dúvidas, sempre mediante agendamento telefônico, no período compreendido entre 7h e 11h e 13h e 17h.

A entrega dos cadernos acontece na próxima segunda-feira, dia 4 de maio, das 7h30 às 16h30, para alunos da creche (berçários e maternais) e educação infantil (nível); e na terça, dia 5, nos mesmos horários, para estudantes do ensino fundamental (1º ao 9º anos) e EJA, sempre na unidade em que a pessoa está matriculada. As tarefas serão consideradas para fim de avaliação e dão início ao novo calendário escolar, reestruturado a partir do início da quarentena. “Recomendamos aos pais e responsáveis que orientem os filhos a fazerem as atividades de cada semana, sem pressão para que tudo seja feito de uma vez. Pedimos ainda que cuidem das apostilas, que deverão ser entregues na volta às aulas, e que solicitem ajuda de professores sempre que entenderem necessário. É fundamental que a família acompanhe de perto os estudos das crianças”.


Helga Vilela

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