• Da redação

Cresce procura por vacinas contra meningite

Na Policlínica, procura subiu 20%; na rede particular, crescimento chegou a 70%

Helga Vilela

Nas últimas semanas, as redes pública e particular que contam com vacinas contra meningite registraram, respectivamente, um aumento de 20% e 70%. A busca pela imunização foi motivada pela morte de Arthur, de 7 anos, neto do ex-presidente Lula. A enfermeira Adriana Cristina Batista Luiz, da Clínica Harten, informou que os pais estão procurando, principalmente, a vacina contra meningite, mas aproveitam para fazer uma avaliação geral da certeira. Ela explicou que a rede privada conta com dois tipos de vacinas contra a doença meningocócica: a mengicocócica conjugada quadrivalente ACWY e meningocócica Tipo B. Já a vacina para o tipo C, completou a enfermeira, está disponível no Calendário de Vacinação do Programa Nacional de Imunização da rede pública. Ainda segundo Adriana, as sociedades brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm) recomendam o uso rotineiro da vacina ACWY para crianças, adolescentes e adultos. “Para crianças, a vacinação deve iniciar aos 3 meses de idade com três doses no primeiro ano de vida e reforços aos 12 meses, 5 anos e 11 anos de idade. Para adolescentes que nunca receberam a vacina meningocócica conjugada quadrivalente, são recomendadas duas doses com intervalo de cinco anos. Já os adultos recebem dose única”. Já a Meningo B consiste em quatro doses (3, 5 e 7 meses de vida e entre 12 e 15 meses) e para adolescentes não vacinados antes são duas doses com intervalo de 60 dias.



Antivacina

A enfermeira informou que o movimento antivacina cresce mundialmente, especialmente na Europa e América do Norte. Prova disso é o surto de sarampo que aconteceu na Itália, com mais de 4 mil casos. A doença, que matava mais de 2 milhões de crianças por ano no mundo na década de 1990, foi erradicada no Brasil em 2001. “Em 2016, recebemos o certificado da eliminação, assim como da rubéola, pela Opas (Organização Panamerica a de Saúde). Por aqui, o movimento ainda é pequeno, mas começa a ganhar adeptos. Precisamos estar sempre vigilantes e orientar sempre sobre a importância da vacinação em todas as faixas etárias”.


Rede pública

O diretor municipal de Saúde, Valmir Marcelo Iglecias, confirmou que houve “leve aumento na procura por vacinas e por verificação das carteiras, se estão ou não em dia” nas últimas semanas. Segundo ele, a procura cresceu cerca de 20%. Ele explicou que a rede pública oferece apenas a vacina contra a Meningite Meningocócica do tipo C, “que é a de maior incidência no país”. “O departamento sempre orienta a todos, enfaticamente, que mantenham os calendários vacinais de crianças, adolescentes, adultos e idosos da família completos, realizando busca ativa para eventuais doses faltantes e, se for o caso, regularizando. A meta do município é estar acima dos 93% de cobertura para cada vacina fornecida pelo SUS”.

Sobre o movimento antivacina, Iglecias destacou que, na rede pública, são poucos os pais que optam por não vacinar os filhos. “Isso é causado, geralmente, pela disseminação de fake news sobre alguma determinada vacina. Em outros países há relatos de uma tendência não-vacinação, o que pode, futuramente, acarretar a volta de doenças que foram erradicadas. Isso é preocupante”, completou.


Nas redes sociais

Na última semana, Facebook e Instagram decidiram adotar uma medida mais radical em relação à disseminação de notícias falsas: como as publicações antivacinas estão sendo cada vez mais comuns na rede social e acabaram sendo apontadas como causa da volta de certas doenças, ambas as plataformas passam a retirar e dificultar o acesso a páginas e grupos que contribuam com fake news envolvendo esse assunto.

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