• Da redação

Dia Mundial da Saúde Ocular: complicações do diabetes podem levar à cegueira

Além dos cuidados com alimentação, especialista explica que pessoas com diabetes também precisam se atentar à saúde dos olhos


O Dia Mundial da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, foi instituído para chamar atenção para os principais problemas que acometem os olhos. Por isso, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) faz o alerta: o diabetes, se não diagnosticado e tratado corretamente, pode acarretar em graves complicações nos olhos por conta das altas taxas de glicose no sangue.


Um exemplo são as retinopatias – problemas de retina desencadeados por conta da doença. Segundo a Dra. Solange Travassos, endocrinologista e membro da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o diabetes também é a maior causa de cegueira entre 20 e 60 anos de idade. Entretanto, mais de 90% dos casos de perda de visão poderiam ter sido evitados com o diagnóstico e tratamento precoces das retinopatias. “A visão pode ser afetada de várias formas. Pode ocorrer desde um embaçamento reversível, causado por elevação transitória dos níveis de glicose, que melhora com o tratamento, até casos graves que ocasionam perda irreversível da visão. Os problemas que mais preocupam são a retinopatia diabética e o edema macular”, afirma.

Quando o diabetes não é controlado adequadamente e a glicose é mantida em níveis elevados por muito tempo, algumas lesões assintomáticas começam a ocorrer nos vasos da retina, tecido ocular responsável pela formação das imagens. Se diagnosticado durante as fases iniciais, esse processo pode até mesmo regredir com o controle da glicemia, mas caso contrário, podem aparecer microaneurismas, que são pequenas hemorragias que podem evoluir com vazamento e acúmulo de líquido e lipídios dentro da retina, podendo levar ao edema macular, considerado a principal causa de baixa visão central.

Ainda segundo Dra. Solange, a retinopatia pode progredir para a forma mais grave sem que o paciente perceba alterações na visão. A endocrinologista refere-se à Retinopatia Diabética Proliferativa, que é capaz de comprometer a visão de forma irreversível. “Geralmente as queixas visuais só ocorrem nas fases avançadas, quando o paciente apresenta sangramento ou descolamento da retina. Por isso, é essencial que os pacientes realizem exames periódicos, mesmo que estejam enxergando bem”, ressalta.

Para prevenir as retinopatias, pacientes com diabetes tipo 2 devem iniciar o acompanhamento oftalmológico a partir do diagnóstico do diabetes. Para pacientes com diabetes tipo 1, as avaliações devem começar após cinco anos de doença ou após a puberdade, caso o diagnóstico tenha sido feito na infância. Pessoas que já apresentam lesões nos olhos relacionadas ao diabetes precisam realizar acompanhamento médico frequentemente.

“Outro grupo de pacientes que merece uma atenção maior e acompanhamento oftalmológico mais frequente, são aqueles que apresentam melhora rápida da glicemia após permanecerem muito tempo, geralmente anos, com a glicose alta. Neste grupo pode ocorrer uma piora inicial da retinopatia com necessidade de tratamento. A Retinopatia também pode piorar durante a gravidez e, por isso, as mulheres devem ser avaliadas por um oftalmologista antes e a cada trimestre durante a gestação” afirma a endocrinologista.

Importante lembrar também que, além da glicose alta, a elevação da pressão arterial, o sedentarismo e o aumento dos níveis de colesterol e triglicerídeos também podem agravar a Retinopatia. “Por isso, é necessário que os pacientes com diabetes além de visitarem um endocrinologista periodicamente, também mantenham acompanhamento oftalmológico”, conclui.

Sobre a SBD Filiada à International Diabetes Federation (IDF), a Sociedade Brasileira de Diabetes é uma associação civil sem fins lucrativos, fundada em dezembro de 1970, que trabalha para disseminar conhecimento técnico-científico sobre prevenção e tratamento adequado do diabetes, conscientizando a população a respeito da doença e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. Também colabora com o Estado na formulação e execução de políticas públicas voltadas à atenção correta dos pacientes, visando a redução significativa da doença no Brasil.

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