• Da redação

Empreendedor deve ficar atento às ciladas

Com pandemia, é preciso avaliar o mercado antes de apostar no empreendedorismo por necessidades

Não realizar o planejamento antes de abrir a empresa, investir todas as economias no negócio (e se der errado?), fazer empréstimos junto a instituições financeiras a juros muito altos e sem capacidade de pagamento, misturar as finanças da pessoa física e da pessoa jurídica (empresa) e não acompanhar as mudanças de mercado. Basicamente, essas são as ciladas mais comuns que os novos empreendedores enfrentam, mas o Sebrae mantém atendimento gratuito para ajudá-los nesta ‘lição de casa’.

Neste momento de pandemia, quando muitos perderam o emprego e se voltam para a abertura de um negócio próprio – em Holambra, por exemplo, durante a quarentena foram abertas 76 empresas, sendo que 37 delas são MEIs, contra 25 que fecharam as portas no mesmo período -, o Sebrae reforça que é preciso muita pesquisa antes de apostarem no “empreendedorismo por necessidade”, fenômeno que pode aflorar quando um profissional depende do seu salário para seu próprio sustento e de sua família e não encontra recolocação. “Nem sempre esse empreendedor é formal, ou seja, com empresa constituída (CNPJ), mas ele pode iniciar informalmente e depois migrar para o formal. Além disso, existem empreendedores que viram a necessidade de adequar seu modelo de negócio ou diversificar seus produtos e assim abriram novas empresas: o e-commerce cresceu muito e consequentemente as empresas presentes no mundo digital”, resumiu Fernando Sanches, consultor do Sebrae Campinas.

Sanches explicou que o primeiro passo é realizar um plano de negócios, estudando o mercado, definindo o público alvo e estruturando a gestão da empresa. “Nada de sair fazendo sem planejamento nenhum, pois a chance de dar errado assim é muito grande. Procure o Sebrae, mostre sua ideia e obtenha auxílio gratuito para construir seu plano de negócios”, aconselhou.


Sobrevivência Sanches explicou que os primeiros cinco anos no mercado são decisivos para a sobrevivência das empresas. Em particular os dois primeiros anos, considerados ainda mais críticos. Estatísticas do Sebrae, referentes à sobrevivência das empresas até o segundo ano de atividade no Brasil, mostram taxas em torno de 76% (anos 2010 a 2012, com CNPJ). “As estatísticas indicam que de cada quatro empresas que são constituídas, aproximadamente uma empresa fecha até o segundo ano no mercado”. Em relação à mortalidade a partir do porte da empresa, a situação é pior para as microempresas: apenas 55% sobrevivem aos dois primeiros anos. Pequena e média empresas alcançam taxa de 98% e as grandes chegam a 97%. Já o Microempreendedor individual (MEI) tem um índice de 87%.

Segundo Sanches, as análises quanto à mortalidade de empresas têm indicado que não existe apenas um fator que leve ao fechamento, mas sim a um conjunto de ações que vão desde ausência ou deficiências no planejamento prévio à abertura até dificuldades na gestão da empresa.

Ele ainda destacou que o fechamento da empresa nos primeiros anos pode acarretar dificuldades para o empreendedor: pesquisas do Sebrae mostram que um terço dos empreendedores que encerraram atividades ficaram numa situação financeira pior em relação a que estavam anteriormente.

Pós-Covid Neste momento, Sanches apontou ser importante para o empresário verificar se o negócio continuará inviável mesmo depois da criação da vacina para a Covid. “Caso o negócio possa retomar a atividade depois da criação da vacina, será que não é mais adequado suspender as atividades somente por um período? Isso é possível? Outra questão é sempre procurar negociar com fornecedores e clientes, tentando manter seu negócio ativo, mesmo com a queda brusca do faturamento. Se em último caso a empresa realmente precisar ser encerrada, os custos e responsabilidades precisam ser levadas em conta”, apontou.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (19) 3284-2230 ou pelo site https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/sebraeaz/6-passos-para-iniciar-bem-o-seu-novo-negocio,a28b5e24d0905410VgnVCM2000003c74010aRCRD Helga Vilela




14 visualizações