• Da redação

ENVELHECIMENTO PRECOCE DA BOCA

Esta é uma doença contemporânea e tem relação direta com nosso estilo de vida


Crescemos ouvindo que a cárie era o grande vilão e que, na idade adulta, a doença periodontal era a principal responsável pelos problemas da boca. Aí aprendemos a escovar bem os dentes e a cuidar das gengivas. Mas a doença da atualidade é a perda da estrutura mineral (esmalte) dos dentes, denominadas lesões cervicais não cariosas e hipersensibilidade dentinária, que vem acometendo cada vez mais pacientes jovens. Ou seja, os dentes estão envelhecendo mais rapidamente!


A cárie depende de bactéria e é combatida com escova, creme dental e uma dieta com menos açúcar. As pessoas aprenderam isso. Já a doença não cariosa, que no passado parecia uma exclusividade da faixa etária acima dos 70 anos, hoje é encontrada em 30% de jovens entre 25 e 30 anos. Seu primeiro sintoma é a hipersensibilidade. Uma vez que o esmalte do dente é perdido, a dentina é exposta e com isso vem a dor. A gengiva se retrai precocemente, e a lesão evolui para uma cavidade, que vai se aprofundando até a perda do dente.


Aqui aponto cinco grupos de risco. O primeiro é composto por ex-usuários de aparelhos ortodônticos. Apesar da necessidade de correção, em alguns casos podem ocorrer alterações irreversíveis na estrutura do osso. Por isso o acompanhamento deve feito inclusive na fase pós- tratamento, ou teremos gerações de jovens com retração gengival. O segundo grupo reúne os indivíduos com algum tipo de doença gástrica, como refluxo e úlcera; que se submeteram a cirurgia bariátrica; ou utilizam balão intragástrico e indivíduos com bulimia. São pacientes que apresentam degradação biocorrosiva do esmalte e da dentina causada pelo ácido clorídrico do estômago. Em seguida, vêm os atletas amadores cuja nutrição esportiva inclui um grande volume de bebidas cítricas e alimentos ácidos. Hoje há um consumo cada vez maior de água com limão espremido, para aumentar o metabolismo, além de chás verdes e isotônicos: são substâncias que degradam o esmalte, por isso é indispensável que o dentista peça um relatório da dieta alimentar do paciente, que terá que usar um creme dental que dificulte a ação corrosiva.


Na quarta categoria encontram-se os indivíduos chamados de “apertadores dentais”: aquelas que cerram, trincam e rangem os dentes, provocando uma sobrecarga na articulação temporamandibular.

De acordo com as pesquisas, cerca de 70% das pessoas ansiosas apertam os dentes. O aplicativo Desencoste seus dentes , criado pelos cirurgiões-dentistas Wladimir Dal Bó e Roberto Garanhani, programa alertas a intervalos regulares para esses “apertadores” afrouxarem a pressão dentro da boca. Por fim, no quinto grupo estão aqueles que sofrem os efeitos colaterais de medicamentos ou tratamentos agressivos, como quimioterapia e radioterapia.




Casos mais severos, quando há formação de cavidade, só são corrigidos com uma restauração. O envelhecimento precoce dos dentes é um dos maiores desafios que a odontologia está enfrentando. Por isso a importância da prevenção e dos cuidados específicos para cada caso. Por último, mas não menos importante: somente um especialista poderá fornecer informações confiáveis sobre o assunto.



Lembre-se: A saúde começa pela boca!!!

Dra Fernanda Morra - CRO 36639 -Instagram drafernandamorra


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