• Da redação

Especialista destaca que muitos pais estão confusos e não sabem lidar com as crianças nesse período

Psicóloga pontua que pandemia é momento de aprendizado para todos


A pandemia é um período de muita insegurança e ansiedade não só para as crianças, mas também para os adultos, já que ambos estão sofrendo com o isolamento social. Mas se é possível dar uma dica, a psicóloga holambrense, Tannie Schut, resume: não se cobrem, muito menos se culpem. “Apenas busque o melhor dentro de suas limitações, lembrando que é um período de aprendizagem para todos”, disse, ao completar que, se necessário, a ajuda profissional pode ajudar neste momento.



A psicóloga, especialista em atendimento infanto-juvenil, destacou que muitos pais estão confusos e não sabem como lidar com as crianças na quarentena e frisou que cada ambiente familiar tem suas peculiaridades, mas, de forma geral, isso se deve ao fato de que os próprios pais estão cansados, sobrecarregados, assumindo novas e diferentes funções, tudo isso somado ao fato de que os pequenos também estão cansados, irritados e inseguros. “A primeira coisa a fazer quando a criança e/ou adulto começar a apresentar esses sinais é acolher e conversar. Abrir espaço para um diálogo claro e objetivo, buscando identificar o que exatamente está provocando os sintomas: medo? Ociosidade? Incerteza de quando e como tudo irá acabar? O desconhecido gera ansiedade”. Ela destacou que as conversas são essenciais e ajudam os pequenos a entenderem o que estão sentindo, nomearem seus sentimentos e buscarem um jeito de lidar com eles. No entanto, o vínculo de confiança com os pais não é construído de um dia para o outro e uma maneira de fazer isso é brincando com a criança. “Quando pai e mãe dedicam tempo para se divertir com os filhos, percebem sinais que não veriam de outra forma. A criança elabora suas emoções enquanto brinca e demonstra seus sentimentos e angústias, sem que perceba”.


O segundo passo, aconselhou a profissional, é criar uma rotina. “Basta separar o que é prioridade, ter uma conversa logo pela manhã com o filho para combinar as atividades do dia e preparar algo visual para os pequenos acompanharem o que já foi ou não realizados. Pode ser um quadro com desenhos e imagens para os menores ou uma agenda para aqueles que já sabem ler e escrever. Aos poucos, isso produzirá um ambiente mais seguro para a criança, reduzirá sua ansiedade e ainda aliviará o estresse, pois o cérebro dela não ficará em estado constante de alerta”.


Estudo e lazer

Um cuidado essencial para o momento dos estudos em casa, reforçou a psicóloga, “é lembrar que não somos especialistas, precisamos aceitar nossas limitações na transmissão do conteúdo e não exigir tanto nem dos filhos e nem de si mesmos nesse momento”.

Ela destacou que o contato social da criança está praticamente restrito aos membros da família que, talvez, esteja o grande ganho desta epidemia. “Nos reinventarmos, sairmos da nossa zona de conforto. É uma oportunidade de (re)aproximação da família”.


Tannie pontuou que o uso das telas (celular, vídeo game, etc) já era um questionamento comum antes da quarentena. “Essa é uma realidade que temos que aprender a lidar com ela e não ir contra ela. Primeiro ponto é que não podemos cobrar algo que não fazemos. Somos exemplos! Segundo, estabelecer na rotina o tempo que será destinado ao uso das telas. E por fim, introduzir novas opções de lazer. Porque, hoje em dia, as crianças e adolescentes estão tão no celular que muitas mal sabem brincar. Então, precisamos resgatar isso, descobrir outras coisas que a criança gosta. No começo não será fácil, haverá resistência, irá exigir tempo, paciência e dedicação dos pais, mas no final dará certo”.

Helga Vilela

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