• Da redação

Eu sou Napoleão Bonaparte!



Histórias da Dona Ilda

Revirando papelada, encontro uma pequena foto: Dr. Mange, meu marido e uma migo, em Paris. Num segundo me lembro de um fato que nos fez rolar de rir!

Lá estávamos, eu como bolsista de nosso governo, para estudos de Artes Plásticas e Desenho Pedagógico, e meu marido como bolsista do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), a mais perfeita instituição de ensino do país no setor. Além dele, outros jovens dessa mesma autarquia também lá estavam com o mesmo fim: aperfeiçoamento no ensino profissional.

Instalados em diversos hotéis, contou-nos um deles, certa vez, que estavam na maior folga, em horário de lazer. De repente, foi chamado ao telefone:

- É o professor fulano? - Perfeitamente! Quem fala?

Quando a gente ouviu voz de brasileiro ao telefone, pensava logo em alguns dólares chegando por fora…

- Aqui é o Mange! - Quem? - É isso mesmo que você ouviu: Roberto Mange!

Só a título de explicação, o citado professor-engenheiro ocupava o mais alto cargo dentro do Senai e era respeitadíssimo por sua competência e energia. Graças às suas qualidades como homem e profissional, mereceu seu nome gravado no frontispício da escola Senai de Campinas. E, para ser mais sincera, nossa cidade é que mereceu seu nome num estabelecimento de ensino. Ele gostava de chegar à Europa, todo ano, de improviso, para ver como iam de estudos seus pupilos. Ao ouvir do outro lado da linha, inesperadamente, a afirmativa de que era seu comandante-mor que falava, claro que, como bom brasileiro, nosso amigo achou logo que era piada de algum companheiro e “lascou”:

- Escuta, ô cara! Se você for o Drº Mange, eu sou Napoleão Bonaparte! E antes que eu me esqueça vá para a…

Quanto mais seu superior tentava convencê-lo de que era o próprio, mais ele debulhava toda uma série de impropérios, certo de que lhe estavam dando um grande trote. Sem relutar, Drº Mange desligou o telefone e se dirigiu rapidamente ao hotel do bolsista. Quando chega à portaria diz:

- Por favor, procuro por Napoleão Bonaparte.

Após as explicações, diante dos olhos esbugalhados do porteiro, sobe o “chefão”. Bate à porta do quarto e pergunta:

- Onde está o Napoleão Bonaparte? Vim abraçá-lo pessoalmente e cumprimentá-lo pelo riquíssimo vocabulário!

Nosso amigo tinha mesmo era vontade de sair de asa delta pela janela do quinto andar. Jamais pensara que o negócio fosse sério e real! Felizmente, o Dr

º Mange, da mesma forma que era energético, era também compreensivo, bom. Acabou levando tudo na esportiva, reunindo todos os bolsistas com um jantar supimpa na Champs Elysées, para comemorar a reentrée de Napoleão Bonaparte.

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