• Da redação

Gatos desaparecem na cidade e muitos são encontrados mortos por envenenamento


O setor de Vigilância da Prefeitura informou que a legislação que trata de maus-tratos a animais prevê punição por envenenamento

BAIGON DESAPARECIDO

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Baigon, Lobinho, Lion, José, Mel, Sheeva. Basta uma olhada rápida nas redes sociais de Holambra para constatar o sumiço de gatos (e também de cachorros) e a preocupação de seus donos. Alguns animais são encontrados, mas muitos outros seguem desaparecidos.


Infelizmente, não são raros os casos de animais encontrados mortos. A empresária Marian Bovee mora no bairro Imigrantes e sempre teve animais de estimação: hoje tem Nino e Lua, dois gatos. “Não tenho preferência entre gatos ou cachorros, gosto de animais de um modo geral”, disse, ao justificar que no momento prefere gatos devido ao espaço menor. Antes de Nino e Lua, a holambrense tinha Mel, gata que apareceu morta na sua garagem com “toda característica de envenenamento”. Ela conta que, recentemente, o gato de uma vizinha desapareceu e outro foi encontrado morto, por possível envenenamento. “Estamos de olho.

Acho que uma pessoa que fica envenenando animais, não gosta nem de si mesma, falta amor próprio e à natureza. É deprimente”, avaliou, ao completar que gosta tanto de animais que retirou a carne de seu cardápio. “Tem muitas coisas para comer, não precisa comer animais”.


Pela mesma razão de Marian - o espaço reduzido -, o casal Lucas e Thaís Rafael, do bairro Groot, optou por gatos. E pela segunda vez, Lobinho desapareceu. A diferença é que, na primeira vez, ele retornou no dia seguinte. Agora já são mais de 10. “Postamos no Facebook, perguntamos para os vizinhos. Mas ele ainda não apareceu”, disse Lucas. Nas redes sociais, o casal ainda frisou que a filha é muita apegada ao animal.


A artesã Sueli Martis, do Groot, tem tres gatos: Shiro, Mamoru e Emi. Um deles desapareceu no último dia 15 e voltou, após seis dias, “desidratado, sujo e faminto”. Neste período, Sueli apelou para as redes sociais, imprimiu cartazes e fez uma procura pelas ruas do bairro. Ela destacou que, através das redes sociais, tomou conhecimento de vários felinos que desapareceram na cidade e contou que conhece “histórias de envenenamento” devido ao desaparecimento de animais de alguns amigos, mas nenhuma denúncia foi feita. Sulei também afirmou que gosta de gatos e cachorros, mas se identifica com os felinos “pois são calmos, silenciosos, pequenos”. “Tenho uma fêmea e dois gatos machos, um deles foi encontrado abandonado e tem dificuldade motora. Todos são castrados. E quando eles desaparecem, vem uma sensação de vazio e impotência, pois não sabemos o que realmente aconteceu, se foi atropelado, raptado, envenenado. É muita tristeza”.

Profissionais reforçam comportamento aventureiro dos felinos

Os gatos são naturalmente curiosos, exploradores e caçadores, por este motivo podem sair de casa (a famosa voltinha) e retornar. Mas da mesma forma que retornam, podem não voltar. E gatos machos não castrados tendem a sair mais de casa para procurar fêmeas. A explicação da profissional Cynthia Lobo é a mesma de Sarah Pinheiro, ambas médicas veterinárias. “Os gatos, por mais que sejam domesticados, ainda trazem um pouco das características selvagens: adoram caçar e se aventurar em telhados e terrenos. Gatos não castrados saem atrás de parceiros em época de cio, e muitas vezes acabam brigando com outros gatos, se machucando e até contraindo doenças, o que dificulta a volta pra casa”, disse Sarah.

Em sua clínica em Holambra, Cynthia disse que atendem muitos casos de envenenamento, atropelamento e maus tratos. “Isso não ocorre apenas em Holambra. Colegas de outras cidades relatam, com frequência, os mesmos tipos de atendimentos”.

As profissionais dão alguns dicas que podem minimizar as ‘voltinhas’ desses bichanos: castração precoce (entre 5 e 6 meses de idade); devem ficar dentro casa, andar de coleira na rua, janelas e portas teladas e cuidados redobrados ao sair de casa. Cynthia destacou que é preciso verificar sempre se o gatinho não saiu junto e, ao levá-lo ao veterinário ou transportá-lo no carro, é preciso que esteja seguro dentro de caixinha própria para transporte. “Existe um material (roller cat), que é um rolo anti-fugas para gatos. São colocados no muro, janelas e portões para evitar que o gato pule ou fuja”, completou Sarah.

O que diz a lei e como proceder?


O setor de Vigilância da Prefeitura informou que a legislação que trata de maus-tratos a animais prevê punição por envenenamento. O primeiro passo é o registro do boletim de ocorrência para que seja possível a apuração policial. A denúncia de maus-tratos é legitimada pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605, de 12.02.1998 (Lei de Crimes Ambientais), que prevê pena de detenção de seis meses a um ano, além de multa.

Seguindo as orientações, a pessoa que encontrar seu animal morto e desconfiar de envenenamento deve procurar uma clínica veterinária para que se possa confirmar ou não a hipótese. Caso seja um animal de origem desconhecida, a denúncia pode ser feita ao setor da Prefeitura para recolhimento e, se for o caso, análise. Em caso de confirmação, recomenda-se o registro de um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil.

Vale ressaltar que o setor atua somente no recolhimento de animais mortos em ruas ou espaços públicos – na maior parte das vezes, por acidente ou atropelamento.

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