• Da redação

Golpistas do ‘cartão de crédito ’ atacam em Holambra


Em ligações telefônicas, criminosos se passam por funcionários de bancos e pegam dados das vítimas





Quando a holambrense atendeu uma ligação telefônica e a pessoa do outro lado, “extremamente gentil”, se identificou como funcionária da Central de Atendimento de seu banco, foi impossível pensar que poderia ser um golpe e ela acabou, neste momento, fornecendo as informações solicitadas pelo golpista.






Segundo a vítima, o criminoso disse que estava checando dois débitos feitos no cartão – valores próximos a R$ 2,8 mil e a R$ 700 – em Campinas. “Como atendi a ligação em minha casa, ele até falou que era impossível a compra ter sido feita por mim, pois tinha acontecido há 13 minutos em Campinas e eu já estava em Holambra”.


Na sequência, o golpista pediu outras informações, pediu para a vítima cortar e embalar o cartão e que um outro funcionário passaria em sua casa para pegar o cartão. A vítima fez o que o golpista pediu, mas chegou a desconfiar e ligou em sua agência. Foi orientada a ligar em outro número e quando foi verificar, dois débitos já tinham sido feitos de sua conta. Ela foi até a delegacia e disse que foi informada que vários holambrenses caíram no mesmo golpe.


Várias histórias

Sem citar números, o delegado de Holambra, Erivan Vera Cruz, informou que foi registrado um pequeno aumento deste tipo de golpe na cidade no último mês. “O golpista liga para o correntista e diz que alguém está tentando comprar com o seu cartão. Pede para ele cortar o cartão, mas não é preciso ter um cartão inteiro para efetuar compras, só o chip. Mas como essas pessoas se apresentam como preocupadas com o correntista, ele acaba caindo”.

O delegado informou que os golpes mudam com o tempo, mas fazem muitas vítimas enquanto são ‘novos’. Mas em qualquer circunstância, ele alertou: é importante não passar senha para ninguém e nem entregar o cartão nas mãos de terceiros. “Banco não pede senha”, frisou.


Para alertar os holambrenses, o delegado listou outros golpes comuns: falso leilão, quando a vítima entra numa falsa página de leilão e acaba depositando um valor acreditando que seu lance foi o vencedor; o golpe do anúncio, quando o criminoso pega as informações de quem está vendendo, alegando que tem um comprador, e ‘vende’ o produto mais barato para algum interessado, também vítima. “Neste caso, o golpista induz vendedor e comprador ao erro. O comprador acha que está fazendo uma boa compra e o vendedor acredita que conseguiu vender o produto anunciado. São duas vítimas, mas este golpe tem diminuído nos últimos meses”, explicou.


Também bem comum é o golpe do falso boleto, geralmente ligado a financeiras. “A vítima quer gerar o boleto e acaba entrando numa página falsa, com dados da financeira, mas código de barras diferente. Faz o pagamento na conta do golpista e só percebe que caiu num golpe quando é cobrada novamente”, resumiu, ao completar que golpe semelhante envolve pagamento de prestadores de serviços. Nesses casos, a vítima recebe um código falso para quitar a fatura mensal. “Em casos de dúvidas e para segurança de quem vai fazer o pagamento, é aconselhado ir até a financiadora para gerar o boleto que precisa”, disse. Para completar, citou ainda recente golpe aplicado em rede nacional. “Os golpista fizeram um anúncio na televisão de um site de vendas e as vítimas não desconfiaram de nada. Este caso está em investigação em São Paulo”.


O delegado reforçou que os golpistas se renovam e que a Polícia Civil do Estado de São Paulo investiga todos os casos “com campo para investigação”, levando à identificação e prisão de criminosos. E completou que a polícia está à disposição para ajudar aquelas que foram enganadas e para sanar eventuais dúvidas dos moradores.

Golpe desaparece e depois volta


O golpe do cartão vai e volta. Em 2015, uma outra vítima viu mais de R$ 13 mil desaparecerem de sua conta.

E sua história é igual da última holambrense. “Recebi uma ligação informando que falavam da Central de Segurança do meu cartão de crédito para confirmar compras efetuadas e que não estavam de acordo com meu perfil de consumidora”, disse, ao relatar a ligação feita por golpistas e como informou que não tinha efetuado as compras, recebeu as seguintes orientações: que seu cartão seria bloqueando porque foi clonado e que enviariam outro, mas para averiguação da fraude iriam mandar um portador para retirar o cartão clonado em sua casa. “Pediram para cortar os quatro últimos dígitos do cartão e uma declaração de próprio punho endereçada ao supervisor, informando que eu não reconhecia a referida compra e que pedia o estorno imediato do valor. Por fim me pediu para digitar a senha do cartão”, disse, ao destacar que ficou desconfiada e pediu algumas informações, todas fornecidas pelos golpistas.

Uma hora e meia após a retirada do cartão, a vítima recebeu nova ligação da Central de Atendimento de seu banco, desta vez verdadeira, com a mesma conversa de compras suspeitas. “Informei que eles já haviam ligado e retirado o meu cartão, ou seja, havia caído no golpe na 1ª ligação. Todas as compras no valor de aproximadamente 13.500,00 foram ressarcidas e não tive custo nenhum. A partir do ocorrido, se recebo uma ligação comunicando compras suspeitas no meu cartão, informo que estou ocupada e que vou verificar e desligo. Aí eu ligo para a Central do meu cartão para checar. Digitar senha em ligação recebida, nunca mais”.

Helga Vilela

28 visualizações