• Da redação

Maneiras de se olhar a vida

Crônica

Há alguns dias conversávamos numa floricultura eu, meu marido, o Martinus e um outro amigo. Sempre que nos encontramos, aproveitamos para trocar uma prosinha muito agradável. Mas, desta vez, nosso amigo estava com vontade de extravasar tudo o que tinha direito.

Explicava que para viver a vida dele em paz, não vê TV, programas políticos, acidentes, aborrecimentos e outros.

- O que interessa é cuidarmos de nossa vida! Nosso trabalho, nossa família, nossa criatividade e esquecermos e não procurarmos saber de fatos que nos impressionam e nos deprimem!

Sabem que essas afirmações são desabafos de quem já está cansado de tantos fatos que chegam a atormentar-nos.

Francamente, fiquei impressionada com a firmeza e determinação com que nosso amigo fez uma verdadeira palestra sobre seu posicionamento mediante tantos acontecimentos.

Mas, de fato, é uma atitude que não é tão fácil de ser tomada.

Naturalmente não devemos nos impressionar tanto com tudo o que acontece, mas, quando vemos na TV uma árvore frondosa caindo sobre um carro em movimento, em São Paulo, sentimos o que sentiu esse motorista! Agora o repórter da Bandeirante nos diz que mais de 800 árvores foram tombadas em São Paulo. Os aeroportos cancelaram muitos voos em Cumbica.

Daí vem ao pensamento o fato de alunos estarem saindo das escolas, outros jovens entrando em faculdades, operários deixando seus trabalhos, e outras pessoas longe de casa.

E daí? É só desligar a TV. Mas, não tenho coragem! Mesmo que não queiramos, as notícias chegam até a gente! Até pelo correio: recebi hoje um pedido de ajuda para crianças que passam por dificuldades.

Então, meu prezado amigo, confesso que tentei, mas não consegui!

Sabe que eu, quando mocinha, participei da homenagem que fizeram aos jovens expedicionários que voltaram da 2° Guerra Mundial, como enfermeira socorrista de guerra, com uniforme e tudo? Guardo com muito amor a foto do grupo de enfermeiras no Largo do Rosário, nessa ocasião, com milhares de participantes.

O sentimentalismo é muito bonito, mas, às vezes, chega a machucar nosso coração! E muito!



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