• Da redação

Moradores de Holambra relatam suas experiências ao retornarem para a Holanda


Noemi Almeida

Pandemia no auge, educação precária, economia em decadência, representantes do governo que não se entendem… são muitas as razões pelas quais alguns moradores de Holambra resolveram sair do país. Por ser uma cidade turística com descendência holandesa, parte dos nossos conterrâneos opta por colocar na Europa a esperança de uma nova vida. São os novos imigrantes, que contam para o Jornal da Cidade as diferenças entre Holambra/ Holanda, e de que forma a pandemia os afetou.



Thomas Siepman, Estudante



Neto de Albertus F. J. Siepman e Wilhemina Maria Klein Gunmewiek Siepman, Thomas nasceu e cresceu aqui, na Cidade das Flores. Sempre teve na alma a vontade de visitar a Europa e retornar às suas origens; e fez isso em outubro de 2018, logo depois do resultado das eleições. “Eu tinha acabado de voltar de um intercâmbio na Dinamarca. Estava meio dividido entre ficar na Europa ou no Brasil, mas daí percebi que meu lugar não é aí e por isso decidi vir pra Holanda”, conta. Por ter vivido numa cidade colônia, ele explica que não notou muitas diferenças nos costumes. “Principalmente na área da gastronomia, o que temos é bem parecido com o que eles comem aqui”, enfatiza. Thomas está gostando da nova vida e não pretende voltar para o Brasil tão cedo. “Também não sei se ficarei na Holanda pra sempre, mas como há melhor qualidade de vida por aqui, por enquanto meus planos são de permanecer”salienta.



Maria Gaciele dos Santos - Psicóloga


“Não sou filha de holandeses, mas minha relação com esse país sempre foi bem estreita”, conta. A pscóloga, filha de mineiros, nasceu e se criou nas Cidade das Flores onde teve contato com a cultura holandesa. “Morei lá pela primeira vez em 2001, onde conheci o meu marido, que coincidentemente também é de Holambra, mas descendente de colonos”, explica. O casal foi muito feliz morando em Amsterdã, mas tinham saudades do Brasil. “Voltamos para Holambra, onde construímos nossa casa, tivemos nossos três filhos e onde eu pude estudar e me realizar na profissão”, relata. “Por ser uma estância turística torna a cidade mais organizada e com muitas iniciativas que fazia desse lugar interessante pra nós.

As coisas começaram a ficar complicadas no fim de 2018, quando Gaciele e seu esposo Ricardo Perceberam que o seu dinheiro não era o suficiente para custear a educação de qualidade que tanto almejavam para seus filhos. “Metade do nosso orçamento era para pagar a escola deles, pois entendemos que ter educação de qualidade é fundamental”, mas passou a ser inviável aqui no Brasil”,comenta. Esse foi o ponto principal para que a psicóloga decidiu migrar novamente, de volta para a Holanda, que prometia maior qualidade de vida. Ela foi para lá no meio do ano passado.


“Holanda está nas pesquisas como um dos melhores países para se morar. Aqui, o governo é responsável pela educação das crianças e temos muitas opções de escolas perto de casa. Além disso temos a família do meu esposo que é daqui, e conseguimos trabalhar recebendo um bom salário”, enfatiza. Outra vantagem que ela aponta é a forma de trabalho do governo, que faz de tudo para manter a população saudável e protegida.


Influência do Corona Vírus nas vida dos novos imigrantes:


Maria Gaciele dos Santos ainda possui família aqui em Holambra e se emociona ao relatar a saudade e a preocupação com seus pais e amigos brasileiros. “Estamos numa segunda onda da pandemia do coronavírus na Holanda. Somos gratos por estar aqui, pois a população e os políticos são muito conscientes. A saudade dos amigos da Cidade das Flores aperta, mas as redes sociais estão aí para nos aproximar e conectar”, revela. A família pretende ficar lá por mais uns anos, mas têm planos de visitar o Brasil sempre que puderem. Já Thomas Siepman, fez uma visita ao Brasil recentemente, mas ficou por pouco tempo e não voltará tão cedo. “O que o coronavírus nos mostrou é que precisamos sempre estar preparados para nos reinventar, mudar e aprender”, defende Gaciele.

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