• Da redação

Novembro Azul destaca diagnóstico e tratamento do câncer na pandemia


Mais de 50 mil brasileiros deixaram de receber o diagnóstico de câncer neste período





O mês dedicado ao combate e prevenção do câncer de próstata e outras doenças urológicas, neste ano tem uma abordagem diferente, com ações online, por conta do novo coronavírus. Assim como em muitas especialidades da medicina, as consultas de rotina diminuíram muito nesta época. Segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca), houve no Brasil uma queda de 70% das cirurgias oncológicas e uma queda de 50% a 90% das biópsias enviadas para análise, estimando-se que de 50 a 90 mil de brasileiros deixaram de receber diagnóstico de câncer no período de pandemia.

Para o urologista que atende as cidades de Holambra, Artur Nogueira e Cosmópolis, Dr. Humberto Marino de Lucia, um pouco mais adiante será possível ver que o período de pandemia acarretará complicações de muitas doenças que seriam curáveis ou tratáveis. “Um exemplo é um câncer de próstata ou diabetes, que podem ser tratados inicialmente sem ter fatores complicadores. Na minha opinião, e de muitos especialistas, deve-se se manter as consultas e acompanhamentos de doenças crônicas e exames periódicos, mantendo-se todos os cuidados devidos, por causa da pandemia. As doenças crônicas matam mais do que o coronavírus”, alerta.

Segundo o Dr. Humberto, o câncer de pele é a primeira neoplastia mais frequente no homem, seguida do câncer de próstata. Porém, no dia-a-dia em seu consultório o mais comum é a HPB (Hiperplasia Benigna da Próstata) - crescimento benigno da próstata. “Está acontecendo ao longo dos anos em todos os homens, podendo causar obstrução urinária ou dificuldade para urinar, cálculo renal, disfunção erétil e câncer de próstata”, explica.

Lembrando que os exames de rotina para próstata devem ser iniciados dos 40 aos 45 anos quando existem antecedentes familiares com a doença e, a partir dos 45 aos 50 anos quando não há histórico familiar. “O diagnóstico é feito iniciando-se com uma boa história clínica, exame físico, inclui o toque retal e exame de sangue, que é o PSA (Antígeno específico prostático)”, diferencia.

Como não existe um sintoma específico para o câncer de próstata, o especialista ressalta a importância de realizar os exames de rotina com o urologista. “Muitas vezes quando o paciente começa a ter sintomas, não há mais tratamento curativo. Os sintomas mais comuns e que levam o homem ao urologista são: dificuldade pra urinar, jato fino, interrupção urinária, ter que fazer força pra urinar, urgência para urinar e levantar muito a noite para urinar”, alerta.

Quanto ao tratamento do câncer de próstata depende de qual fase é feito o diagnóstico. “Normalmente os casos iniciais, quando não há metástase ou invasão loco regional, se faz um tratamento curativo com cirurgia radical (prostatectomia radical) ou radioterapia. Se for um caso mais avançado, a hormônio terapia é o tratamento mais indicado, podendo também ser associado à quimioterapia, radioterapia e cirurgia, depende muito do caso”, pontua.

De acordo com o Dr. Humberto, o preconceito para o exame retal ainda existe, mas diminuiu muito ao longo dos anos. “Hoje o homem tem muito mais informação sobre as doenças da próstata, desmistificando um pouco o procedimento e inibindo o tabu”, revela. O aposentado João Carlos Andrade, de 77 anos, fez várias vezes o exame de sangue, mas, foi só quando começou a ter dificuldade de urinar que ele procurou um urologista e fez o exame de toque retal. “Somente neste exame descobrimos a minha doença. Imediatamente foi iniciado o meu tratamento, o qual eu segui à risca. Felizmente o tumor na minha próstata era pequeno e hoje estou curado da doença e também do meu preconceito”, garante.

Novembro Azul 2020 em Holambra

Anualmente, o Departamento Municipal de Saúde de Holambra incentiva no mês de novembro, a realização de exames voltados à saúde do homem. Porém, por conta da pandemia do novo coronavírus não haverá a distribuição de material impresso. Assim como em todo o Brasil, a campanha de conscientização será realizada por meios eletrônicos. Segundo o diretor municipal de Saúde, Valmir Marcelo Iglecias, o objetivo é incentivar homens, a partir de 50 anos, a realizarem exames de urina e sangue. Basta ir a um PSF e fazer a solicitação, munido do Cartão Cidadão. “A detecção precoce nos possibilita mais chances de tratamento”, explica. O diretor ressalta que, caso seja encontrada alguma anormalidade, os moradores de Holambra serão encaminhados para uma consulta com o generalista ou urologista. A rede pública municipal de saúde oferece apoio psicológico, orientação e acompanhamento dos pacientes diagnosticados com câncer de próstata.

Dálete Minichiello

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