• Da redação

Patrimônio Cultural da colonização holandesa é tema de pesquisa




Conhecer os valores que os holambrenses têm em relação ao patrimônio cultural resultante da colonização holandesa na cidade. Este é o objetivo da pesquisa lançada pelo turismólogo João Luiz van Ham Mello, aberta a todos os moradores da cidade, e que contabiliza, por enquanto, pouco mais de 300 respostas. Desde 2014, João Luiz se dedica a diferentes estudos sobre Holambra, com ênfase nas áreas de turismo, arquitetura e patrimônio cultural.


O holambrense explicou que a pesquisa é uma das ferramentas que utilizará no seu mestrando de Pós-Graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável (na Universidade Federal de Minas Gerais) e destacou por causa das medidas protetivas a fim de evitar a propagação da Covid-19, adiou o trabalho de campo - coleta de depoimentos, registros fotográficos e um mapeamento das edificações resultantes diretamente da colonização holandesa na cidade – e lançou uma versão online.

Ele informou que não há um número mínimo de respostas, mas espera atingir o maior número de pessoas, independente de sua faixa etária ou condição socioeconômica. “O importante é ser morador da cidade. Atualmente, conto com pouco mais de 300 respostas, o que significa a participação de cerca de 2% da população. Gostaria de chegar pelo menos a 10% para que a amostragem seja mais significativa”.


Três partes

O questionário está dividido em três partes: socioeconômico, preservação do patrimônio da colonização e turismo, com 18 perguntas no total. Especificamente sobre a segunda parte, João Luiz espera compreender os valores que os moradores da cidade apresentam em relação à colonização holandesa, seus aspectos positivos e negativos, a importância da preservação de bens culturais materiais e imateriais, se a conservação deste patrimônio no município é satisfatória ou insatisfatória. Em relação ao turismo, “que traz, atualmente, uma situação bastante tênue em relação à preservação do patrimônio de imigração”, o mestrando pergunta como os moradores veem a atividade turística na cidade; sobre a lei das fachadas típicas (decreto-lei 080/94), questiona se as pessoas acham que ela é satisfatória, se precisa ser mantida ou alterada, “uma vez que o que se vê, é que elas são reproduzidas com formas aleatórias pela cidade”.


Experiência anterior

Em junho de 2019, João Luiz realizou um questionário também online para um artigo de disciplina do mestrado, sobre o antigo edifício da Escola São Paulo, recentemente demolido. “O resultado foi surpreendente. Contei com a resposta de pouco mais de 100 pessoas, em cerca de 3 dias, moradores e não moradores de Holambra: 65% destes disse que o edifício deveria ser restaurado da maneira como era antigamente, 22,5% disse que o edifício deveria ser requalificado em algum espaço para a população. Ou seja, 87,5% gostariam que o edifício fosse reanimado”.


Como participar

A pesquisa está disponível nas plataformas Facebook e Instagram e na página Holambra bem cultural (@holambrabemcultural), criada por João Luiz em 2019 e que visa veicular informações sobre o patrimônio cultural da colonização holandesa e suas potencialidades, contribuir para sua preservação e engajar a população residente e turística para fomentar discussões, pontos de vista e proposições a respeito do tema.

Benefícios da preservação para o turismo

Holambra é uma estância turística e a preservação arquitetônica deve ser vista como um grande aliado. Mesmo assim, João Luiz comentou que muitas pessoas dizem “que estas construções são muito simples, que não há nada de especial nelas, que ‘não há nada para turista ver ali’. Mas eu vejo que elas formam um conjunto arquitetônico amplo e único na história das imigrações no Brasil, já que Holambra representa a primeira implantação de uma colônia de holandeses católicos no Brasil”.


João Luiz completou que Holambra já é conhecida nacional e internacionalmente, mas acredita que, talvez, os moradores estejam perdendo a chance de criar uma cidade turística e histórica com mais qualidade. “As construções poderiam ser mantidas a fim de se criar um conjunto histórico, onde alguns poderiam servir para a implantação de empreendimentos turísticos, como cafés e restaurantes, pousadas e receptivos rurais, tudo isso aliado à preservação da arquitetura característica daquele lugar, uma tendência global pela busca de experiências mais genuínas, consumida pelos turistas mais exigentes e experientes”. E completou: são estes os turistas que gastam mais tempo e dinheiro no destino e contribuem com a preservação da cidade, um objetivo que o turismo de Holambra tem tentado alcançar nos últimos anos. “Tudo isto depende em grande parte de um desejo da população, dos proprietários de imóveis e do poder público municipal em reconhecer este patrimônio e valorizá-lo de forma articulada”, finalizou.

Helga Vilela

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