• Da redação

Professores sugerem atividades educativas sem o uso do computador

70% das crianças têm dificuldades devido à exposição às telas nas aulas remotas”, diz especialista


A pandemia e o isolamento causaram mudanças significativas no método de aprendizado das crianças e adolescentes. A moradora de Holambra Anne Marrie Van Logchem tem dois filhos, um de 16 e outro de 18 anos. Ela conta como os hábitos mudaram com o ensino remoto: “Percebi é que a capacidade de interação social foi testada e ampliada. Aconteciam aulas a manhã toda e as vezes ficava cansativo. Percebi alunos amigos interagindo mais durante as aulas online, trabalhando em equipe, aceitando opiniões e explicações de seus colegas, o que foi um ganho na educação”, destaca. No entanto, essa não é a realidade da maioria das crianças.


Um exemplo é Janaína Longhi que tem um filho de 10 anos. Ela explica que apesar do filho normalmente ser tranquilo, o isolamento e as muitas atividades causaram um certo estresse. “Como tenho piscina em casa, sempre o incentivo a fazer atividades fora, o que ajuda muito, mas percebo que não é a mesma coisa com os outros amigos”, comenta. Luana Aparecida Meireles, mãe de 3, notou que suas crianças de 10, 12 e 15, desenvolveram problemas como ansiedade e depressão. “Fiquei preocupada quando minha filha mais velha começou a chorar todos os dias. Estranhei, pois, antigamente ela gostava de ficar na internet, mas isso mudou quando passou a ser obrigatório e isso se tornou a única opção para nós, que vivemos numa casa sem quintal, só com 4 cômodos” relata.


Para os pais, também não é fácil. “Não me senti preparado para acompanhar as atividades da minha filha, Cecília, que está no pré 2, na educação especial”, lembra Gabriel Kzam. Para ajudar no desenvolvimento da pequena, Kzam contratou a neuro psicopedagoga Glauce Bernardes da Costa, especializada em alfabetização e consciência fonológica. Ela explica como sua formação mudou a visão que ela teve das crianças e a relação delas com aulas online e o isolamento. “A pandemia apontou a vulnerabilidade das crianças em serem dependentes das tecnologias. Muitos conseguem manipular meios tecnológicos, mas não conseguem pular uma corda, subir numa árvore, inclusive têm dificuldade em trabalhar movimentos de braços e pernas. Quase 70% das crianças apresentam grande dificuldade motora, e o cérebro humano precisa de movimento para se desenvolver na fase infantil até os 12 anos. É por essa razão que esse ano foi tão difícil para eles: não estavam preparados para lidar com essa nova realidade”, esclarece.


Sabendo disso, os professores também se esforçaram para tornar as aulas mais atraentes. A professora Silvana Amaral relata que a escola em que trabalha colocou em prática roteiros complementares adaptados para aqueles que não entendiam a aula. “Criamos também vários projetos para deixar tudo mais interessante, além das tutorias”, conta. Os educadores também participaram de diversos treinamentos para aprender a lidar com a tecnologia e aplicativos de ensino remoto. “Percebi que, nos casos em que os pais nos apoiaram o aprendizado era mais alto”, acrescenta.


Entendendo a necessidade de dar atividades que não estejam ligadas à tecnologia para as crianças, o que fazer? A professora de artes essenciais, Liliana Gripp, defende a música como estimulante para eles. “Independentemente do instrumento, a música contribui de forma global e integral no desenvolvimento da criança. Ela trabalha na área cognitiva, motora, afetiva, na atenção, concentração, organização e socialização, entre outros benefícios. Antes de nascer, a criança já sente o pulsar no útero da mãe”, explica. Outra opção de atividade é a pintura, como atesta a professora Neusa Cardoso. “As crianças ficam muito interessadas e curiosas com esse tipo de atividade e isso auxilia a extravasar a alegria do coração deles”, relata. Ela acrescenta ainda que a infância é o melhor momento para desenvolver esse tipo de atividade pois as crianças são muito mais sensíveis: “elas expressam muito bem os sentimentos por meio de desenhos”.


Além da pintura, as artes plásticas, em geral, são opções para as famílias de Holambra. Marisa Trippia, por exemplo, é Artista plástica há 40 anos e tem um ateliê onde produz obras de campos floridos. “Crianças precisam expressar a criatividade que naturalmente já nasce com elas. Precisamos incentivar a arte e colocar em prática seus benefícios”, enfatiza. Mesmo dentro de casa, os pais podem incentivar a arte por meio de lápis aquarela ou pincéis e tintas à base de água.


“Uma coisa que não podemos dizer é que nenhuma criança não se desenvolveu”, acrescenta a neuro psicopedagoga Glauce Bernardes da Costa. “Isso porque cada um aprende de modo diferente: uns nas matérias de escola, outros criam uma consciência coletiva sobre os cuidados com relação ao coronavírus ou ainda desenvolvendo maturidade para lidar com as emoções em meio à crise em que vivemos. Nosso papel como pais é respeitar o momento de cada uma das nossas crianças”, finaliza.

Noemi Almeida

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