• Da redação

Trabalhadores anônimos em tempo de pandemia

São milhares pelo Brasil afora, enfrentando o Coronavírus em tempos de isolamento


Enquanto parte da população se prepara para voltar, aos poucos, à rotina (mesmo com o aumento de casos de Coronavírus no Brasil), milhares de brasileiros não deixaram de trabalhar e garantiram os serviços essenciais para a outra parte da população que deveria respeitar o isolamento social.


Os profissionais da Saúde podem liderar esta linha de frente, mas há muitos outros que não abandonaram seus postos: são garis, carteiros, policiais, cozinheiros, entregadores, motoristas, profissionais das concessionárias de água e luz, voluntários e muitos outros anônimos que, desempenhando suas funções, mantiveram a cidade vida e segura para todos.


Holambra, pelo seu tamanho, favorece a ligação dos moradores com esses profissionais: muitos conhecem o motoboy que lhe entrega o remédio/comida; o gari que sempre mantém sua rua limpa, o carteiro que garante que os mais diversos produtos cheguem à sua casa, o policial que faz a ronda com frequência.


O gari Rodinei Aparecido Ferreira mora em Cosmópolis e trabalha em Holambra. Sua área de atuação é a parte central da cidade e sua rotina não mudou com a pandemia: segue com a mesma jornada de trabalho, mas destacou que o fato de trabalhar sozinho “já ajuda muito”. “Também passamos a usar máscaras. Foi um pouco sufocante no começo, mas a gente se acostuma rápido”.



O gari acredita que o mais importante neste momento é cada um fazer a sua parte: quem pode, deve ficar em casa. “A gente precisa trabalhar e encarar a doença. Ao manter a cidade limpa, acho que estou ajudando outras pessoas a não se contaminarem”, disse, ao destacar que a população pode colaborar ao fazer a separação do lixo e até informando se há suspeita da doença na casa, uma vez que os profissionais ficariam ainda mais atentos na hora de coletar o lixo.


A maior preocupação de Rodinei é com a sua família (tem esposa e duas filhas) e por isso adota cuidados extras ao chegar em casa: não entra com o sapato e as roupas vão lavadas em seguida.


A policial militar Andi Mastromonico tem 24 anos de profissão, sendo os três últimos em Holambra (é conhecida pelos estudantes, uma vez que está à frente do Proerd). Neste período de pandemia, Andi não deixou de patrulhar, mas informou que o serviço administrativo foi adequado a um novo horário para evitar aglomeração de policiais. “No caso de atendimento ao público, sempre uma pessoa por vez e é obrigatório o uso de máscara”.


Na rua, além de máscara e disponibilidade de álcool em gel nas viaturas, a policial informou que quando é necessária a abordagem de pessoas em atitude suspeita, incluem o uso de luvas, a higienização das mãos e da viatura (uma vez que transportam pessoas) e o distanciamento seguro de dois metros, sempre que possível. Mas completa: o medo de ser contaminado é constante entre os profissionais. “Acredito que o nosso temor seja o mesmo de toda população: o contágio do Covid-19, já que estamos mais expostos e, principalmente, de transmitir a doença aos nossos entes queridos”. A população pode ajudar “ficando em casa, só saindo se houver necessidade, e evitando aglomeração”.


Desde o início da pandemia, a policial mudou seus hábitos: como trabalha fardada, já retira a farda no serviço e coloca em saco plástico. “Chegando em casa, vai direto para lavagem, tem sempre um pano com água sanitária na porta para higienizar o calçado e deixo para o lado de fora, indo direto para o banho”, explicou, ao completar que em Holambra as ocorrências não mudaram neste período. “A população holambrense é privilegiada, a cidade é tranquila, com acontecimentos isolados e de menor potencial ofensivo”.

Helga Vilela

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