• Da redação

Turismo Rural: a busca por uma experiência autêntica

Turismólogo destaca vantagens de Holambra e aponta potencial que ainda pode ser explorado



Segundo o Ministério do Turismo, o segmento do turismo rural cresce de 15 a 20% ao ano. E quem procura pelo turismo rural, explicou o turismólogo Eduardo Bettin, apresenta algumas características inter-relacionadas: geralmente são moradores de grandes centros urbanos com idade entre 20 e 55 anos, são casais com filhos ou amigos, possuem ensino superior completo, deslocam-se de automóveis particulares em um raio de até 150km do núcleo emissor, fazem viagens de curta duração, organizam suas próprias viagens, tem na internet e amigos a principal fonte de informação, são apreciadores da culinária regional e valorizam produtos autênticos e artesanais. Também considerando algumas motivações, completou Bettin, é possível destacar que esses turistas querem fugir da realidade urbana, buscam pelas raízes e por uma experiência autêntica do local, como a simplicidade caipira e o folclore. Assim, a partir deste perfil e da localização geográfica de Holambra a menos de 150km dos dois maiores núcleos emissores de visitantes do país (Grande SP e RMC), Bettin garantiu: existe um enorme potencial a ser explorado quando trata-se de turismo rural.

Bettin é instrutor do Programa de Turismo Rural do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e conhece Holambra desde os primeiros passos em direção à profissionalização do turismo rural, em 2006, quando ministrou um programa em parceria com o Sindicato Rural de Mogi Mirim e Prefeitura. Nesta época, lembrou, alguns empreendimentos rurais atuavam de maneira individual, com abertura para visitações a áreas de produção, passeios equestres, restaurantes e afins. “A partir desse primeiro contato, junto a uma ação também realizada pelo Sebrae, discutimos a formatação de um roteiro cooperado entre as propriedades”.

Bettindestacou que o turismo rural agrega valor às propriedades e favorece a introdução de serviços complementares, como a venda de produtos verticalizados, visitas nas áreas de produção, alimentação ou hospedagem. “O empresário rural agrega valor à propriedade, diversifica a fonte de renda, gera emprego e novas oportunidades para a família” A cidade também se beneficia quando este segmento se fortalece, afinal atrai novos visitantes, aumenta o tempo de permanências dos mesmos e o trade (agências, hotéis e restaurantes) ganha em arrecadação.

Desde 2006, Bettin voltou várias vezes a Holambra para novos cursos oferecidos gratuitamente aos moradores. Hoje ele acredita que o turismo rural na cidade está “muito bem organizado e com um potencial imenso para crescimento”. “As operadoras de turismo receptivo têm realizado um excelente trabalho. Em meu último trabalho em Holambra, trabalhei com empresários extremamente motivados em novas oportunidades no segmento do turismo”.Ele pontuou que todas as atividades de negócio envolvidas no segmento podem ser desenvolvidas, mas reforçou que as visitas nas áreas de produção para a prática do agroturismo ainda têm muito a crescer. “Seu potencial é enorme”.

Nos primeiros contatos com os empresários, as dúvidas mais comuns estavam relacionadas “por onde começar”, legislação específica para o turismo rural e como promover e comercializar a propriedade como produto turístico. E os interessados em explorar este setor, citou Bettin, contam com um ponto positivo antes mesmo de se arriscar: o nome de Holambra. “A identidade turística e cultural do município está diretamente atrelada à produção de flores e à colônia holandesa. São fatores de fácil associação ao meio rural, através dos meios de produção, gastronomia, arquitetura e demais atividades culturais. Outro fator benéfico é a realização anual da Expoflora e demais eventos que atraem visitantes de todas as localidades”.


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